
A Toyota, acostumada a liderar o mundo em vendas de veículos, agora pode se tornar protagonista de uma revolução silenciosa na governança corporativa japonesa.
A montadora estuda desmontar, em larga escala, participações cruzadas mantidas por bancos e seguradoras em seu capital, em um movimento estimado em cerca de R$ 97,4 bilhões em ações.
Segundo fontes ouvidas pela Reuters, o plano envolveria a venda de aproximadamente 3 trilhões de ienes em participações estratégicas, valor que ainda pode aumentar dependendo da disposição dos acionistas.
A ideia é que a própria Toyota recompre parte relevante desses papéis, enquanto uma fatia poderia ser redirecionada a outros investidores por meio de ofertas secundárias no mercado.
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Internamente, o projeto é tratado como um gesto concreto para mostrar seriedade em relação às reformas de governança, tema em que a empresa vinha sendo cobrada por analistas e fundos estrangeiros.
O objetivo seria realizar a operação já neste ano, mas executivos admitem que tanto o calendário quanto a escala podem mudar, e até ser abandonados se não houver consenso.
A Toyota preferiu não comentar o assunto, e as fontes pediram anonimato por se tratar de discussões ainda confidenciais dentro da companhia.
Mesmo assim, o mercado reagiu rápido às primeiras informações sobre a possível virada de chave, e as ações da montadora fecharam o dia em alta de 1,5%, superando o índice amplo.
O movimento dialoga diretamente com a pressão da Bolsa de Tóquio e dos reguladores, que vêm incentivando empresas japonesas a desmontar antigos esquemas de participações cruzadas.
Essas estruturas, em que companhias mantêm ações umas das outras para reforçar laços comerciais, são criticadas por blindar administrações de pressões dos acionistas e reduzir a disciplina de mercado.
Embora difundidos no Japão por décadas, esses arranjos perderam espaço no Ocidente e são alvos frequentes de reclamações de investidores internacionais que cobram maior eficiência de capital.
A Toyota já tinha política formal de reduzir cruzamentos acionários, mas seguia sob questionamentos de governança, o que ajudou a empurrar a empresa para um gesto mais drástico, segundo uma das fontes.
A companhia também está no centro de outra polêmica, a oferta pública para aumentar sua participação na Toyota Industries, negócio contestado pelo fundo ativista Elliott.
O investidor afirma que a proposta é barata demais e pouco transparente, o que levou a Toyota a estender o prazo da oferta até 2 de março por falta de apoio suficiente entre os acionistas.
Entre os grandes detentores de ações da montadora aparecem bancos como Sumitomo Mitsui Financial Group e Mitsubishi UFJ Financial Group, além da seguradora MS&AD Insurance Group.
Curiosamente, essas próprias instituições financeiras já vinham anunciando planos para reduzir seus portfólios de participações cruzadas, alinhadas ao discurso regulatório de modernização do mercado japonês.
Se o plano da Toyota avançar, analistas enxergam um possível ponto de inflexão, abrindo espaço para que outras gigantes japonesas também acelerem o desmonte de estruturas acionárias tradicionais.
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