
Em um momento em que montadoras correm para eletrificar suas linhas e governos apertam o cerco às emissões, a Toyota segue em outra direção — ou, melhor dizendo, em todas ao mesmo tempo.
A gigante japonesa acaba de surpreender o setor ao anunciar um supercarro híbrido com motor V8 biturbo de 4.0 litros, o GR GT, que será produzido em série.
A decisão soa quase provocadora em plena era da eletrificação, mas tem um propósito claro: manter viva a identidade da marca e a relevância do motor a combustão.
Segundo Akio Toyoda, presidente do conselho da Toyota, o risco não é só ambiental, mas também de transformar o carro em um mero produto genérico.
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“O motor ainda tem papel”, declarou, defendendo o desenvolvimento interno de propulsores, sem parcerias com a Yamaha como no passado.
Essa filosofia não está restrita a um superesportivo de nicho.
Em junho de 2025, a Toyota organizou um evento interno reunindo fornecedores para apresentar planos de novos motores — inclusive de alta performance — com continuidade garantida na produção até 2030.
Ao mesmo tempo, a Toyota avança com sua divisão de elétricos, especialmente voltada para o mercado chinês, onde o apetite por EVs cresce a cada ano.
Lá, o modelo bZ3X — um SUV elétrico desenvolvido com a GAC e equipado com baterias LFP — foi lançado em março por cerca de R$ 82 mil (109.800 yuan), e já ultrapassava 10 mil unidades vendidas por mês em novembro.

Um sedã elétrico, o bZ7, está pronto para seguir os mesmos passos — mas não será oferecido fora da China.
Na prática, a Toyota dividiu sua estratégia em dois caminhos distintos: elétricos populares e competitivos para os chineses, e híbridos confiáveis e acessíveis para o público americano.
Nos Estados Unidos, onde a eletrificação avança de forma mais lenta, a marca fortalece sua produção local de híbridos, que já representam 13% das vendas de carros novos no país.
Para isso, abriu uma nova fábrica de baterias na Carolina do Norte em novembro de 2025 e anunciou investimentos de até R$ 53,7 bilhões (US$ 10 bilhões) em cinco fábricas americanas nos próximos cinco anos.
Enquanto isso, na Europa, montadoras estão recuando discretamente de suas promessas elétricas, após uma adoção mais lenta que o previsto, abrindo espaço para soluções intermediárias — justamente onde a Toyota se posiciona.
Essa estratégia de “apostar em tudo” pode parecer cara e contraditória.
A empresa investiu cerca de R$ 45 bilhões (¥1,3 trilhão) em pesquisa e desenvolvimento no último ano fiscal — valor comparável ao da chinesa BYD.
Para dividir os custos, a Toyota aposta em parcerias: colabora com a Waymo no desenvolvimento de condução autônoma e com a NTT em tecnologias de prevenção de acidentes com IA.
Num mercado que parece buscar um vencedor tecnológico único, a Toyota aposta na diversidade como diferencial competitivo.
Ao não abandonar os motores, nem se entregar totalmente aos EVs, a marca pode estar se preparando melhor do que qualquer outra para um futuro automotivo que será, na prática, fragmentado e imprevisível.
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