
Na batalha política que transformou até pequenos recursos de carros em armas ideológicas, a mira da gestão Trump agora se volta contra o simples sistema de start-stop.
Segundo o chefe da EPA, Lee Zeldin, a agência prepara para esta semana uma medida que atende a motoristas irritados com motores desligando sozinhos nos semáforos.
Em publicação na rede X, antiga Twitter, Zeldin afirmou que “incontáveis americanos” detestam o funcionamento do start-stop e que o governo decidiu finalmente agir.
O discurso pinta o recurso como um incômodo diário, repetindo a ideia de que o liga e desliga constante seria um “conceito absurdo” empurrado aos consumidores pelas montadoras.
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Na prática, o sistema foi criado para cortar o desperdício quando o carro está parado, desligando o motor a combustão em breves paradas e religando automaticamente ao sair.
Estudos feitos em uso real por diferentes grupos independentes mostram que essa tecnologia pode reduzir o consumo anual de combustível entre cerca de 7% e 24% em trajetos urbanos.
Na vida de quem roda muito em trânsito pesado, isso significa potencialmente economizar centenas de dólares por ano, justamente o tipo de alívio que costuma agradar motoristas.
Mesmo assim, opositores insistem que o benefício seria anulado por supostos gastos extras de manutenção, argumento que vem sendo repetido há anos sem respaldo consistente em dados.
Especialistas como Alex Knizek, da Consumer Reports, lembram que motores e arranques dos carros com start-stop são projetados para esse uso mais intenso, ao contrário do imaginário popular.
Ele admite que qualquer sistema adicional pode exigir reparos com o tempo, mas ressalta que isso não transforma a tecnologia automaticamente em inimiga da durabilidade mecânica.
Quando o recurso começou a aparecer em massa, a própria EPA só aceitava que montadoras alegassem ganhos de consumo cheios se o start-stop permanecesse ativado permanentemente.
Marcas que ofereciam botão para desligar a função recebiam uma espécie de “bônus” de eficiência menor, justamente para evitar que o consumidor anulasse o benefício o tempo todo.
Com o amadurecimento das regras, a agência flexibilizou as exigências, e hoje muitos carros permitem ajustar o comportamento do sistema, equilibrando economia e preferência do motorista.
Nos primeiros modelos, porém, era comum não existir qualquer forma oficial de desativar o start-stop, o que levou parte dos proprietários a recorrerem a soluções alternativas nem sempre legais.
A movimentação atual da EPA lembra a decisão recente de afrouxar normas sobre sistemas de pós-tratamento de emissões em motores a diesel, motivada por reclamações sobre custo e manutenção.
No caso dos filtros e sistemas de controle de poluentes do diesel, havia relatos mais concretos de falhas e despesas elevadas, ainda que a solução escolhida também tenha sido controversa.
Agora, ao direcionar o ataque a uma tecnologia de economia direta de combustível, o governo sinaliza que a desmontagem das regras de emissões nos Estados Unidos deve continuar.
Para quem acompanha de perto o setor automotivo, o recado implícito de Zeldin ao pedir que todos “fiquem atentos” é claro, virão mais capítulos nessa guerra regulatória.
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