
Mesmo com uma base de usuários em expansão recorde, a Uber decepcionou o mercado ao apresentar lucros abaixo do esperado no quarto trimestre de 2025.
A plataforma registrou 202 milhões de usuários ativos, um salto de 18% em relação ao mesmo período do ano anterior, e mais que o dobro da marca de 100 milhões alcançada em 2019.
Mas nem mesmo esse desempenho histórico impediu que suas ações caíssem até 10% nas negociações pré-mercado.
O motivo: lucros operacionais de US$ 1,77 bilhão (R$ 9,26 bilhões), abaixo das expectativas dos analistas, que previam US$ 1,85 bilhão (R$ 9,67 bilhões).
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Embora o valor represente um aumento de 130% em um ano, o mercado esperava mais diante do crescimento robusto em reservas totais, que chegaram a US$ 54,1 bilhões (R$ 282,4 bilhões).
A principal preocupação dos investidores é o impacto dos robotáxis na rentabilidade da Uber, já que concorrentes como Waymo, Tesla e Zoox estão acelerando seus projetos próprios e, em muitos casos, excluindo a Uber de seus planos nas grandes cidades.
O CEO Dara Khosrowshahi tentou acalmar o mercado afirmando que os acordos atuais com empresas de veículos autônomos garantem margens “semelhantes às de outros produtos”.
Ele reforçou que a Uber está bem posicionada para liderar esse novo mercado, citando a experiência da empresa em conectar passageiros e motoristas — humanos ou não.
Apesar do otimismo, o executivo admitiu que a expansão dos AVs não será linear, e que ainda representa apenas 0,1% das corridas globalmente.
A Uber tem apostado alto no setor, com mais de uma dúzia de parcerias fechadas no último ano, incluindo um aporte recente de US$ 500 milhões (R$ 2,6 bilhões) na canadense Waabi.
Por outro lado, o impacto negativo dessas apostas ficou evidente: o lucro líquido da empresa no trimestre foi de apenas US$ 296 milhões (R$ 1,5 bilhão), pressionado por uma perda de US$ 1,6 bilhão (R$ 8,4 bilhões) com suas participações em empresas como Lucid, Grab e Aurora.
O CFO Prashanth Mahendra-Rajah, que deixará o cargo este mês, alertou que os resultados da Uber seguirão voláteis por conta dessas oscilações de mercado.
Ele será substituído por Balaji Krishnamurthy, até então responsável pelo relacionamento com investidores, sinalizando uma mudança de foco estratégico.
A companhia ainda projeta ganhos ajustados entre US$ 2,37 bilhões e US$ 2,47 bilhões no primeiro trimestre de 2026, o que frustrou parte das expectativas, já que o mercado esperava US$ 2,44 bilhões.
Apesar das incertezas, Khosrowshahi mantém a confiança no modelo híbrido da Uber, que une transporte tradicional e autônomo, e vê nesse mercado um potencial de “multi trilhões de dólares”.
Por ora, a Uber celebra a explosão no número de usuários, mas enfrenta o desafio de converter esse crescimento em lucros consistentes, sem ser engolida pela revolução dos robotáxis.
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