
O crescimento do mercado de carros elétricos no Reino Unido, impulsionado por incentivos governamentais e uma enxurrada de modelos oferecidos como veículos corporativos, está criando um problema pouco discutido: o que fazer com esses veículos quando retornam ao mercado de usados?
Com a crescente oferta de EVs usados, compradores e revendedores esbarram em um ponto crítico: o medo da degradação da bateria, abordado em reportagem do jornal The Telegraph.
Afinal, sem um dado técnico confiável sobre a saúde da bateria — o chamado state of health (SoH) — muitos consumidores ficam à mercê de suposições, baseadas apenas na autonomia estimada no painel e na porcentagem de carga.
A realidade, no entanto, é que existe uma solução simples e acessível. Com o equipamento certo, é possível conectar um scanner ao sistema do carro e obter da central eletrônica o valor exato da capacidade restante da bateria.
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Ainda assim, a prática está longe de ser adotada em larga escala — tanto por concessionárias quanto por revendas independentes.
De acordo com pesquisas do site Dealer Auction, 45% dos revendedores dizem evitar comprar EVs em leilão quando não há nenhuma informação sobre a bateria.
Já entre os consumidores, o cenário é ainda mais alarmante: uma pesquisa do Green Finance Institute revelou que 62% dos motoristas que rejeitam EVs usados o fazem por medo da vida útil da bateria.
Enquanto isso, alguns fabricantes começam a tomar a frente. O Toyota bZ4X, por exemplo, já permite ao motorista ver a saúde da bateria diretamente no painel — uma função que pode revolucionar a confiança na hora da revenda.
Outros, como a Nissan, também estão avançando em recursos de monitoramento mais transparentes.
Ashley Winston, diretor da Palmdale Car Finders, acredita que a certificação de bateria pode ajudar, mas não resolve tudo. “Ainda é o alcance e o tempo de recarga que assustam mais as pessoas.
O SoH pode não ser a solução mágica, mas para quem já está decidido a comprar um EV, faz diferença.”
Ele também critica a lentidão do setor: “A indústria de usados não lida bem com mudanças. Mas gerar um relatório da bateria é mais simples do que trocar óleo e filtro. Com o tempo, empresas independentes devem preencher essa lacuna oferecendo o serviço às revendas.”
O cenário atual reflete um descompasso: enquanto o governo força a transição para os elétricos no mercado novo, falta uma política clara para garantir que esses carros tenham vida útil no mercado de segunda mão.
A ausência de transparência sobre o estado da bateria só aumenta o receio — e contribui para o acúmulo de elétricos nos pátios, com desvalorização acelerada.
Sem essa confiança técnica, muitos compradores preferem simplesmente não arriscar. E os revendedores, sabendo disso, oferecem valores baixíssimos nas trocas. O resultado?
Um ciclo vicioso que trava a expansão natural dos EVs usados e ameaça a consolidação definitiva da eletrificação automotiva.
No fim das contas, o SoH talvez não conquiste corações, mas pode muito bem abrir carteiras. E isso, no mercado automotivo, já é meio caminho andado.
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