Vendas fracas, rivais chinesas agressivas e faca nos custos: VW admite que ainda está longe da meta e que não pode “afrouxar agora”

thomas schafer ceo vw
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Sob pressão ao mesmo tempo em mercados-chave e dentro de casa, a Volkswagen aproveitou a primeira grande assembleia de funcionários do ano para deixar claro que a ordem é cortar custos.

Em Wolfsburg, o chefe da marca VW, Thomas Schäfer, disse que o grupo está avançando na direção certa, mas ainda não atingiu seus objetivos de eficiência e não pode relaxar.

O encontro contou também com a presença do CEO Oliver Blume, reforçando o peso político da reunião num momento de vendas fracas nos Estados Unidos e competição feroz na China .

Schäfer destacou que o pacote de redução de gastos precisa continuar em alta intensidade, mesmo depois do avanço obtido nos últimos meses com programas de reestruturação e ganhos de produtividade.

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No centro da discussão está o novo plano de investimentos de cinco anos, encolhido para €160 bilhões (aproximadamente R$ 973 bilhões), abaixo dos €180 bilhões de dois anos atrás [cerca de R$ 1,09 trilhão], valor ainda divulgado internamente também na casa dos US$ 186 bilhões (algo em torno de R$ 971 bilhões).

Esse enxugamento ocorre enquanto a Volkswagen lida com queda de vendas na China e tarifas nos Estados Unidos, o maior mercado global para a marca Porsche, que pressionam margens e prioridades de gasto.

A urgência por mais eficiência foi reforçada pela líder do conselho de fábrica, Daniela Cavallo, que defende concentrar mais poder decisório na sede de Wolfsburg.

Para ela, a empresa já não pode se dar ao luxo de deixar cada marca do grupo operar com lógicas próprias, sem coordenação rígida no topo.

A executiva argumenta que a Volkswagen precisa voltar a ter Wolfsburg como verdadeiro “hub” central, definindo direções comuns de produto, investimento e estrutura, em vez de múltiplos centros de poder.

Essa cobrança ganha peso porque os representantes dos trabalhadores controlam metade das cadeiras no conselho de supervisão e influenciam decisões estratégicas, num equilíbrio que nem sempre é pacífico.

Historicamente, a relação entre gestão e empregados se tensionou em momentos de ruptura, como o escândalo do diesel, a guinada para EVs e as rodadas mais recentes de cortes de custos.

Em janeiro, a montadora surpreendeu o mercado ao divulgar fluxo de caixa automotivo preliminar de €6 bilhões (algo como R$ 36,5 bilhões), bem acima da projeção anterior, que falava em zero.

O resultado levou Cavallo a cobrar um bônus de reconhecimento aos funcionários, sustentando que o caixa extra só apareceu graças ao esforço de economia na base.

Desde que direção e representantes dos trabalhadores fecharam um grande acordo de reestruturação no fim de 2024, a Volkswagen afirma ter assegurado economias de “dezenas de bilhões de euros”.

Mesmo assim, a mensagem em Wolfsburg foi de que o processo está longe do fim, com novas rodadas de simplificação, cortes de burocracia e revisão de projetos em análise.

A empresa prometeu divulgar mais detalhes sobre o andamento do plano de economia e os impactos sobre investimentos quando publicar seus resultados financeiros na próxima semana.

No fundo, o recado de Schäfer e Cavallo converge: para enfrentar vendas anêmicas nos EUA e rivais chineses agressivos, o grupo precisa ser mais enxuto, rápido e comandado de forma muito mais centralizada.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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