
Quando um país deixa de ter fábrica para defender, a política de importação vira pragmatismo puro, e agora vemos isso na prática com números inéditos.
Em fevereiro, pela primeira vez em um único mês, a China virou a maior origem de veículos novos vendidos no mercado australiano.
Foram 22.362 carros fabricados na China emplacados localmente, superando o Japão com 21.671, enquanto a Tailândia ficou em terceiro com 19.493 e a Coreia do Sul somou 11.913.
A mudança tem peso histórico porque, desde 1998, o Japão era a principal fonte de veículos novos para a Austrália, liderando o fluxo de importações por décadas.
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No recorte de evolução anual, os modelos construídos na China cresceram 50,5% na comparação ano a ano, enquanto os fabricados no Japão caíram 31,3% e os coreanos recuaram 2,9%.
Esses totais também incluem veículos produzidos em território chinês por marcas não chinesas, como Tesla e Kia, que vêm usando a China como base exportadora.
A presença chinesa já é tão forte que quatro das 10 marcas mais vendidas do país agora têm origem na República Popular, algo impensável poucos anos atrás.
A ponta desse movimento é a BYD, que vendeu 5.323 veículos em fevereiro, resultado 62,2% maior do que no mesmo mês do ano passado.
Esse desempenho dá à BYD 5,9% de participação e a coloca perto da Hyundai, que registrou 6.266 emplacamentos no mês.
No acumulado do ano, a BYD já soma 10.324 veículos, o que representa 5,8% de participação no mercado australiano até aqui.
Logo atrás aparece a GWM, ou Great Wall Motor, que totaliza 9.198 vendas no ano, incluindo 4.689 apenas em fevereiro.
Com isso, a GWM chega a 5,2% de market share e ultrapassa a Mitsubishi, tornando-se a sétima marca mais popular do país.
A Chery também entrou no top 10 e ocupa o nono lugar com 7.718 vendas no acumulado, impulsionada por 3.938 unidades em fevereiro e alta anual de 93,2%.
Fechando o quarteto chinês, a MG aparece como décima marca mais vendida, com 6.377 unidades somadas entre janeiro e fevereiro.
No ranking de modelos, a Ford Ranger segue líder com 4.325 vendas no mês, à frente da Toyota Hilux, enquanto a surpresa em terceiro foi o Chery Tiggo 4 Pro com 2.315.
O Tiggo 4 Pro praticamente dobrou em relação a fevereiro do ano passado, quando havia entregue 1.068, e virou símbolo do salto chinês no varejo.
Já o Toyota RAV4 teve um mês atipicamente fraco, com apenas 723 vendas, queda de 83,6% frente às 4.405 unidades registradas em janeiro de 2025.
A leitura principal, porém, não aponta para demanda em queda, e sim para estoque baixo do modelo atual enquanto as lojas se preparam para receber a nova geração do RAV4 ainda este mês.
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