Volkswagen admite “nova realidade” e prepara corte de 50 mil vagas enquanto o lucro derrete para o pior nível desde 2016

fabrica vw 2
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O setor automotivo alemão entrou numa fase em que sobreviver virou sinônimo de encolher, e o aviso mais duro agora vem do maior jogador da região.

A Volkswagen informou que pretende cortar 50.000 empregos até 2030, atingindo todo o grupo, incluindo Audi e Porsche .

O recado aos acionistas veio assinado pelo CEO Oliver Blume no relatório anual, ao afirmar que a VW opera em um “ambiente fundamentalmente diferente”.

Por trás da decisão está um tombo forte na rentabilidade, com o lucro pós-impostos caindo cerca de 44% em 2025, no nível mais baixo desde 2016.

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A companhia aponta três fatores principais para o baque: tarifas de importação nos EUA, competição mais dura vinda da China e custos elevados de reestruturação ligados aos EVs.

A pressão externa ganhou peso extra após o presidente dos EUA, Donald Trump, impor tarifas de 25% sobre importações de carros, encarecendo o acesso ao mercado americano.

Enquanto isso, a China, antes um filão lucrativo para marcas alemãs, passou a comprar menos, ao mesmo tempo em que fabricantes chineses avançam sobre a Europa.

Blume indicou que o corte de 50.000 vagas será distribuído pelas operações do grupo na Alemanha, reforçando que a resposta precisa ser ampla, e não pontual.

O número, porém, não surge do nada: a Volkswagen já havia fechado um acordo com sindicatos para reduzir mais de 35.000 empregos de forma “socialmente responsável” até 2030.

Esse acordo tinha como objetivo economizar €15bn (aproximadamente R$ 90 bilhões), valor também citado como £12.4bn (equivalente a R$ 90 bilhões) no mesmo contexto.

No balanço anual, a montadora informou que o lucro líquido após impostos caiu de €12.4bn [cerca de R$ 75 bilhões], também descrito como £10.7bn (algo como R$ 75 bilhões) e $14.4bn (aproximadamente R$ 75 bilhões).

Já no ano passado, o resultado recuou para €6.9bn (cerca de R$ 42 bilhões), número igualmente apresentado como £6.1bn (equivalente a R$ 42 bilhões) e $8bn [aproximadamente R$ 41 bilhões].

Mesmo com o tom de alerta, a Volkswagen diz projetar recuperação em 2026, mas dentro de um cenário em que as margens ainda ficam sob risco.

A companhia prevê margem de lucro operacional central entre 4% e 5,5% em 2026, faixa que pode até ficar abaixo dos 4,6% registrados neste ano.

O diretor financeiro Arno Antlitz afirmou que a margem atual “não é suficiente no longo prazo” e condicionou a melhora a uma redução de custos feita com rigor.

Segundo ele, o foco dos próximos meses será manter o corte de despesas como prioridade absoluta, numa tentativa de defender rentabilidade enquanto a transição para EVs avança.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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