
Quando um carro obriga o motorista a “caçar” um comando simples, o problema deixa de ser tecnologia e vira irritação diária, e a Volkswagen finalmente admitiu isso em público.
O CEO da marca Volkswagen, Thomas Schäfer, disse que Wolfsburg entendeu a mensagem do mercado e vai priorizar uma interação mais amigável e tradicional.
À frente da maior marca de carros de passeio do Grupo Volkswagen desde julho de 2022, Schäfer reconhece que a empresa escorregou feio com o interior do Golf Mk8.
O modelo, que chegou às lojas europeias no fim de 2019, trocou botões por sliders sensíveis ao toque para volume do áudio e ajustes do ar-condicionado.
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“Ficou claro que estávamos perdendo nossa essência”, afirmou Schäfer ao TopGear durante um evento da VW em Hamburgo, deixando evidente o peso do erro.
Essas soluções pareciam futuristas quando estrearam em EVs como o ID.4 e o ID. Buzz, mas a resposta do público foi bem menos tolerante.
Segundo essa leitura, até pode haver um grupo mais jovem acostumado a sliders em dispositivos digitais, só que ele seria minoria entre os compradores.
Schäfer diz que a marca está mudando a forma de pensar tecnologia e design interno, colocando o usuário no centro em vez de empilhar funções e “efeitos”.
A diferença fica clara ao comparar um ID. Buzz 2025, mostrado sem comutadores físicos, com o Tiguan 2026, que traz botões e chaves no volante.
Mesmo assim, o Tiguan ainda mantém sliders para a tela central, o que revela que a transição não é um “8 ou 80”, mas uma correção gradual.
“Antes fazíamos uma lista enorme de requisitos e recursos, mas as pessoas não se sentiam confortáveis usando o resultado final”, disse Schäfer ao TopGear.
“Agora pensamos em pessoas: para quem é o carro e quem está dirigindo?”, completou ele, descrevendo a nova prioridade da engenharia e do design.
Para o executivo, um Volkswagen precisa ter “um rosto amigável” e itens básicos, como maçanetas, devem ser intuitivos, especialmente quando alguém chega com as mãos ocupadas.
Ele também prometeu “trazer de volta botões de verdade e nomes de verdade, para carros que você entende imediatamente”, colocando o recado em tom definitivo.
Schäfer afirmou que designers observaram o hábito de deslizar o dedo no smartphone e tentaram replicar isso no carro, ignorando a diferença entre estar parado e dirigir em piso ruim.
Foi aí que ele cravou uma linha vermelha: “Há duas coisas absolutamente inegociáveis para mim: maçanetas e botões”, e disse não entender a lógica dos sliders.
A Volkswagen agora faz clínicas com consumidores e usa câmeras para observar como ocupantes interagem com os sistemas, sinalizando que está ouvindo em vez de empurrar moda.
Se a promessa sair do discurso, a mudança deve aparecer conforme novos Volkswagens chegarem ao mercado, com menos truques de interface e mais comandos que funcionem no instinto.
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