Volkswagen e Porsche patenteiam sensor que “cheira” combustível sintético para evitar fraude

vw id cross flagra (1)
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A Porsche está levando a sério a ideia de manter os motores a combustão vivos na era da eletrificação, apostando em combustíveis sintéticos que prometem neutralidade de carbono.

Mas para seguir operando na Europa após 2035, os carros movidos por eFuel precisarão cumprir uma exigência inusitada: saber exatamente o que estão queimando.

De acordo com as regras do bloco europeu, veículos a combustão só poderão ser vendidos se usarem combustíveis sintéticos certificados, e o sistema do carro deve ser capaz de identificar o tipo de combustível utilizado.

Se alguém tentar abastecer com gasolina comum, o carro precisa detectar e, teoricamente, se recusar a funcionar.

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Para lidar com isso, a Porsche desenvolveu um sensor especial capaz de identificar o odor do eFuel — o que exigirá que o combustível sintético tenha cheiro próprio, assim como acontece com o gás de cozinha, que recebe odor artificial para detecção de vazamentos.

A tecnologia, registrada em patente pela Volkswagen Group, não para no sensor olfativo.

O documento também descreve um sistema de detecção de marcadores químicos que seriam adicionados ao combustível durante a cadeia de produção.

Esses marcadores — substâncias que não danificam o motor e não existem na gasolina comum — seriam usados para confirmar a autenticidade do eFuel.

A ideia é rastrear todo o caminho do combustível, da produção até o tanque do veículo, por meio de um “gêmeo digital” que mapeia a composição e características do produto.

Se o sistema embutido no carro não identificar o marcador correto ou perceber alteração na concentração, o veículo poderá restringir sua operação, como forma de evitar emissões ilegais.

Apesar do avanço tecnológico, o maior obstáculo não é técnico, mas logístico.

Para que o sistema funcione, todos os envolvidos — montadoras, distribuidoras e postos — precisam aderir a um padrão comum e confiável.

Caso contrário, abre-se espaço para manipulação, como a criação de marcadores falsos para disfarçar gasolina comum como eFuel.

A ideia, embora engenhosa, expõe o dilema dos combustíveis sintéticos: eles prometem uma ponte entre o passado a combustão e o futuro neutro em carbono, mas dependem de uma estrutura complexa para evitar fraudes e garantir conformidade com a legislação.

Enquanto isso, Porsche já testa o eFuel produzido na planta do projeto Haru Oni, no Chile, feito a partir de hidrogênio verde e CO₂ capturado do ar.

No papel, é um combustível limpo. Mas na prática, só será aceito na Europa se o carro conseguir provar — sozinho — que está realmente rodando com ele.

A batalha pelo futuro da combustão pode não ser vencida no escapamento, mas sim na química e na identificação digital de cada gota que entra no tanque.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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