Volkswagen e Stellantis sobem o tom e pressionam a União Europeia a proteger indústria automotiva da invasão chinesa

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Diante de tensões geopolíticas crescentes e da avalanche de carros chineses a preços agressivos, duas gigantes da indústria europeia resolveram pressionar Bruxelas.

Volkswagen e Stellantis uniram forças em um raro editorial conjunto, publicado em veículos como o francês Les Echos, pedindo ações concretas da União Europeia para salvar o setor automotivo do continente.

Segundo os CEOs Oliver Blume e Antonio Filosa, a Europa precisa decidir com urgência se irá proteger sua indústria ou continuar exposta a interesses externos.

Eles defendem a criação de um sistema de “bônus de CO₂” exclusivo para veículos fabricados em solo europeu, como forma de estimular o emprego local e acelerar o cumprimento das metas ambientais.

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A proposta surge em meio ao impasse político sobre a criação de regras que deem preferência aos EVs “Made in Europe”, tema que deveria ter sido decidido em janeiro, mas foi adiado pela Comissão Europeia.

A França tem liderado o coro por uma preferência continental, buscando conter o avanço chinês em um setor estratégico para a economia europeia.

O editorial aponta ainda o paradoxo vivido pelas montadoras: de um lado, governos e consumidores exigem EVs acessíveis; de outro, as baterias mais baratas vêm da Ásia.

Blume e Filosa afirmam que as empresas estão investindo pesadamente para criar uma cadeia produtiva europeia de baterias, mas alertam que, sem apoio do bloco, os custos tornam o projeto inviável.

O alerta não é apenas retórico.

Segundo a Bloomberg, Stellantis já estuda redimensionar ou até cancelar joint ventures voltadas à produção de baterias, devido à demanda abaixo do esperado.

Essa reavaliação faz parte da revisão global conduzida por Filosa, que assumiu a liderança da Stellantis com a missão de reequilibrar custos e garantir competitividade em todos os mercados.

A preocupação compartilhada com a soberania tecnológica também ganha destaque no editorial.

Para os CEOs, o domínio chinês em baterias e componentes eletrônicos coloca em risco não só a competitividade da Europa, mas também sua independência industrial.

Eles alertam que, enquanto outros países usam o comércio e a tecnologia como instrumentos de poder nacional, a UE permanece dividida e hesitante.

O texto termina com um apelo direto: é hora de Bruxelas agir — com medidas claras, pragmáticas e que priorizem a produção europeia sem perder de vista as metas climáticas.

Na visão de Volkswagen e Stellantis, o futuro da indústria automotiva europeia está em jogo — e o tempo para decisões diplomáticas acabou.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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