
Com o preço dos carros novos atingindo níveis inéditos, até gigantes como a Ford estão sendo forçadas a rever decisões que pareciam definitivas.
A marca norte-americana, que nos últimos anos concentrou sua linha em SUVs e picapes, pode estar reconsiderando o retorno dos sedãs.
A mudança de postura foi sinalizada pelo próprio CEO da empresa, Jim Farley, durante o Salão de Detroit.
Questionado sobre a possibilidade de lançar um novo sedã, Farley respondeu: “Nunca diga nunca. O mercado de sedãs é vibrante. Não é que ele não exista, apenas não conseguimos competir de forma lucrativa. Talvez agora possamos.”
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A declaração indica que a Ford estuda internamente novas soluções para um segmento que havia abandonado desde 2019, quando encerrou a produção do Taurus.
O modelo, porém, nunca deixou de existir completamente — ele segue em produção para o mercado chinês e do Oriente Médio, com o nome Mondeo.
Lançado em 2022, o Mondeo já passou por uma reestilização de meia-vida e continua sendo um sedã relevante em outros mercados.
O próprio Farley já reconheceu publicamente que Ford errou ao abandonar modelos como Fiesta e Focus, que deixaram de ser competitivos diante do avanço de Toyota, Hyundai e Kia em custos de produção.
Agora, o cenário é outro: os preços médios de carros novos nos EUA ultrapassaram os R$ 270 mil (US$ 50.326) no fim de 2025, e as parcelas mensais já chegam perto de R$ 4.300 (US$ 800).
Com a exclusão financeira de boa parte dos consumidores, cresceu a demanda por veículos acessíveis, como o Ford Maverick e o Chevrolet Trax, líderes de vendas por serem os mais baratos de suas marcas.
A pressão do público levou a Ford a reestruturar sua fábrica de Louisville, que produzirá a partir de 2027 uma picape elétrica com preço inicial em torno de R$ 161 mil (US$ 30 mil).
A marca também prepara modelos com motores a combustão mais baratos, previstos para sair da nova planta no Tennessee a partir de 2029.
Segundo Farley, os consumidores estão exigindo versões mais acessíveis e a resposta da empresa será desenvolver veículos com engenharia de custo mais baixo, e não apenas cortar equipamentos.
Até o presidente do conselho da Ford, Bill Ford, reforçou a ideia: “Estamos buscando maneiras fundamentais de reduzir os custos dos veículos e repassar isso ao cliente.”
Nos bastidores, há rumores sobre um novo sedã baseado no Mustang, possivelmente chamado Mach 4, com pegada esportiva e tração traseira.
Outras montadoras também perceberam o sinal de alerta: o CEO da Stellantis, Antonio Filosa, anunciou planos para lançar modelos abaixo de R$ 215 mil (US$ 40 mil), e até mesmo sob a faixa dos R$ 161 mil (US$ 30 mil).
A corrida por carros acessíveis reacendeu o interesse em segmentos que pareciam extintos, e os sedãs podem ser a chave para reconquistar um público que ficou sem opções viáveis.
No fim das contas, a Ford talvez esteja prestes a admitir que ignorar os sedãs custou mais caro do que mantê-los vivos.
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