VW Santana: história, versões, motores, equipamentos

O Santana é um sedã médio que a Volkswagen produziu no Brasil entre 1984 e 2006, sendo um modelo ainda vendido na China, mas como um sedã compacto.


Aqui, ele foi um marco na história da marca alemã, pois foi o primeiro carro de luxo que a VW colocava no mercado brasileiro.

Fabricado em diversos países, incluindo a Argentina, o Santana fez sucesso mesmo no Brasil e depois na China, onde chegou a ter versão longa, sendo o carro preferido dos taxistas. Lá ele evoluiu para o segmento compacto, mas aqui cumpriu sua missão de ser o sedã topo de linha da VW nos anos 80 e em parte dos 90.

Mesmo nessa época, em que o Passat chegava oficialmente importado, o Santana ainda tinha certo status.

Defasado, logo virou um produto de custo-benefício e sobreviveu até meados dos anos 2000, deixando muita história e saudades.

Segunda geração do Passat, ele conviveu aqui com a primeira geração e teve como companheira a perua Quantum. Nunca foi além dos motores 1.8 e 2.0, ganhando o apelido de 2000.

Foi o primeiro VW com transmissão automática e uma série de itens inéditos por aqui, incluindo lavador de faróis.

Santana

O Santana nasceu em 1983 como versão sedã do Passat, que em sua segunda geração era um hatchback de duas ou quatro portas, tendo a perua Variant como opção familiar. Nos EUA, por exemplo, ele receberia o nome de Quantum.

Com a mesma plataforma do Audi 80 de 1979, o Santana surgiu como um sedã elegante. Puramente três volumes, ele compartilhava muito com as duas outras carrocerias.

Como um projeto mundial na época, o Santana começou a ser produzido em diversos lugares, entre eles África do Sul, Espanha, Nigéria, México, Argentina e China. Ele foi até produzido no Japão pela Nissan!

Por aqui, o Santana nacional apareceu pela primeira vez ao público no final de 1983, mas seu lançamento mesmo só ocorreu no ano seguinte. Ele era uma resposta da VW para concorrentes como Ford Del Rey e Chevrolet Monza.

Por isso, o Santana não poderia ficar de fora do Brasil, ainda mais que o Passat já estava desatualizado.

Com 4,537 m de comprimento, 1,695 m de largura, 1,402 m de altura e 2,550 m de entre eixos, ele pesava 1.070 na versão duas portas e tinha ainda carroceria com quatro entradas.

Dotado de linhas funcionais, o Santana tinha proporções adequadas para um sedã executivo, frente com faróis simples e piscas separados, além da clássica grade frisada da VW. Na traseira, as lanternas eram horizontais e bem distribuídas, conforme estilo da época.

O Santana tinha para-choques de plástico, mas de formato simples, deixando a parte inferior da carroceria exposta. Oferecido em três versões: CS (Comfort Silver), CG (Comfort Golden) e CD (Comfort Diamond).

No último caso, havia um spoiler grande sob o protetor frontal, além de lavador de faróis. As rodas de liga leve aro 13 polegadas com pneus 185/70 R13 foram usadas mais tarde em outros modelos, como a perua Parati GLS.

Por dentro, o ambiente do Santana era amplo, especialmente o painel. Por incrível que pareça, trata-se de um estilo ainda em uso na VW, no caso no Jetta mais atual, dada as proporções, é claro.

Um conjunto com sistema de áudio (hoje multimídia), difusores de ar e instrumentação eram concentrados no condutor.

Na época, o Santana tinha cluster com conta-giros (relógio analógico na CS) e velocímetros grandes, com nível de combustível e temperatura da água em mostradores menores.

Os controles do ar-condicionado e aquecimento eram por alavancas e ficavam abaixo do rádio toca-fitas Bosch Rio de Janeiro. O volante de quatro raios tinha quatro pontos de buzina em quadrados, tendo ainda a sigla CD na versão de luxo.

O painel tinha ainda frisos cromados e acabamento em dois tons, bem como difusores de ar verticais e horizontais. Havia relógio digital no cluster e cinzeiro com acendedor de cigarros. O sedã também tinha os vidros elétricos acionados no console central.

Ele tinha até luzes-espia em LED, bem duráveis.

Os bancos tinham bom acabamento e o Santana apresentava cintos de três pontos para todos, exceto o quinto passageiro, que também não tinha apoio de cabeça. Um apoio de braço central traseiro deixava o passageiro mais confortável. Este contava com luzes de leitura. Havia faróis de neblina no CD, além de antena elétrica.

Com estepe em pé, o porta-malas tinha apenas 394 litros e tampa de abertura com pescoços de ganso.

O projeto do Santana previa a inédita versão duas portas, só existente aqui. Além disso, seu tanque fora ampliado para 75 litros por causa do álcool, de menor autonomia.

Aqui, ele foi equipado com motor AP-800 de 1.8 litro, sendo uma versão normal do propulsor do Gol GT, mas com transmissão manual de quatro marchas mais overdrive (4+E). Nos CS e CG, era de quatro marchas.

Havia ainda a opção de um câmbio automático de três marchas com conversor de torque, mas sem assistência eletrônica.

O Santana com seu 1.8 carburado entregava 92 cavalos a 5.000 rpm e 14,9 kgfm a 2.600 rpm, abastecido com álcool. Na versão manual e com duas portas, o CD ia de 0 a 100 km/h em 11,9 segundos e tinha máxima de 171 km/h.

No consumo, bons 13 km/l na estrada e 7,1 km/l na cidade, ajudados por um econômetro primitivo baseado em luz de LED para indicar mudança de marchas e condução econômica.

Com frisos cromados, o Santana CD era o mais desejado e completo de todas as versões, tendo ainda um badge nas laterais.

O Santana tinha suspensão McPherson de rolagem negativa na frente e eixo traseiro de torção com buchas deformáveis.

Em 1987, uma nova política do governo autorizava aumento de preços em produtos novos e as marcas modificaram levemente seus carros, dizendo que eram produtos novos. A VW seguiu a regra e atualizou o Santana pela primeira vez.

Primeira atualização

Em 1987, o Santana ganhou uma atualização que o deixou exatamente igual ao modelo internacional, já vigente nesse visual desde 1983. Mas, antes das alterações no estilo, o sedã ganhou uma mudança na nomenclatura das versões.

Assim, saíam de cena as CS, CG e CD para a entrada de C (Comfort), CL (Comfort Luxe), GL (Gran Luxe) e GLS (Gran Luxe Super). A composição das versões mudava, assim como o nível de conteúdo levemente melhorado.

O Santana 87 perdia o spoiler sob o para-choque dianteiro e os lavadores de faróis. Porém, ganhava para-choques envolventes como no alemão. Também vinha com novos faróis com luzes de neblina no mesmo conjunto da grade, igualmente como no exterior.

O visual parecia muito imitar o Chevrolet Opala Diplomata, que usava o mesmo recurso, mas era coincidência. Apenas a GLS tinha essa primazia. O para-choque novo incorporou os piscas e ainda tinha frisos cromados, que envolviam todo o carro.

As lanternas agora incorporavam luz de neblina. O Santana GLS mantinha as rodas de liga leve aro 13 polegadas de antes.

Por dentro, o diferencial desta versão era o volante de quatro raios, mas agora com quatro bolas para buzina. A versão tinha o requinte da chave com luz para facilitar a abertura da porta.

Interessante é que a VW decidiu que a versão GL teria apelo esportivo e por isso adicionou as rodas de liga leve aro 14 polegadas com pneus 185/60 R14 usadas nos modelos Gol GT (já extinto) e Passat GTS Pointer.

Entretanto, o Santana GL – que tinha para-choques, protetores laterais e frisos das janelas todos pretos – só vinha na versão de duas portas. A perua Quantum tinha proposta semelhante, mas com quatro entradas.

O Santana 87 ganhava também mais força. Agora o AP-800 pulava de 92 cavalos para 96 cavalos e 15,6 kgfm com etanol, tendo transmissão manual de cinco marchas e não mais a “4+E”. Com isso, o Santana 87 ia de 0 a 100 km/h em 11,4 segundos.

Todas as versões ganharam câmbio de cinco marchas, exceto o Santana C, que era uma espécie de “pé-de-boi” com o mínimo necessário, movido apenas por álcool.

O Santana GLS era o único que oferecia o câmbio automático de três marchas, ainda “hidramático” somente. No ano seguinte, o Santana via seus comparativos com o arquirrival Chevrolet Monza ganharem um destaque a mais nas bancas de revista.

Chegava ao mercado o Santana 2000.

O sedã médio da VW ganhava mais poder com o motor AP-2000, que inaugurou mudanças na nomenclatura dos motores AP: 600 e 800 para 1600 e 1800.

Com pistões maiores e com curso mais longo, o AP-2000 tinha carburador duplo e as mesmas características dos demais: bloco em ferro fundido, cabeçote em alumínio de fluxo lateral e comando por correia dentada.

Ele entregava 112 cavalos a 5.200 rpm e 17,3 kgfm a 3.400 rpm.

Com isso, o Santana 2000 ia de 0 a 100 km/h em 10,5 segundos e atingia máxima de 182 km/h. Isso tudo com álcool, que permitia fazer 9,4 km/l na estrada e 6,2 km/l na cidade.

Na gasolina, porém, devido à tributação, o AP-2000 era limitado a 99 cavalos e 16,2 kgfm, embora tivesse mais que isso.

Na linha 87, o Santana já havia recebido calibração mais firme na suspensão, mas no modelo 88, quando 2.0, tinha barra estabilizadora maior e braços dianteiros novos. O câmbio não sofreu alterações, sendo muito preciso e macio, além de curto.

O Santana GLS ganhava novas rodas de liga leve aro 14 polegadas com desenho cheio e dotado de elementos vazados nas extremidades.

O GL trocava o preto das rodas esportivas pelo diamantado. Um novo volante sem as bolas foi introduzido no Santana.

Para-sóis iluminados, porta-cassete e teto solar eram algumas das novidades da linha 88. O motor AP-1800 continha nas versões CL e GL, mas esta tinha opção do AP-2000. Aliás, esta versão ganhava bancos Recaro, enquanto a C saía de cena.

Na linha 89, a nomenclatura começa a mudar com o surgimento do Santana Evidence. Mais esportiva, esta versão vinha com rodas de liga leve aro 14 polegadas do Gol GTS e do recém-chegado Gol GTI. Era baseada na GL e tinha motor 2.0.

Em 1990, o Santana ganhava a versão Executivo, que trazia entre outras coisas, bancos em couro com camurça, teto solar (manual) e aerofólio na tampa do porta-malas.

O visual contava ainda com lanternas fumê, para-choques cinzas com frisos claros, grade de três lâminas, bem como retrovisores e logotipo EX em cinza.

Entretanto, a sensação mesmo eram as belíssimas rodas raiadas e douradas da BBS, em aro 14 polegadas. Os pneus eram mais largos, medindo 195/60 R14. Já os bancos eram feitos pela Recaro.

O cluster tinha iluminação vermelha, assim como antena no teto e brake light no aerofólio. Além disso, o Santana Executivo tinha apenas quatro portas.

Somente três cores foram oferecidas na época: vinho, azul e preto. Entretanto, o grande diferencial era o motor AP-2000i, que passava a ter injeção eletrônica multiponto LE-Jetronic da Bosch, a mesma do Gol GTi.

A VW, espertamente, divulgava apenas a potência bruta nesse caso, a fim de estar na frente do Monza. Então, ele tinha 125 cavalos a 5.800 rpm e 19,5 kgfm a 3.000 rpm.

Abastecido apenas com gasolina, o AP-2000 do Santana Executivo rendia 12 km/l na estrada e 7 km/l na cidade, mas fazia o sedã ir até 100 km/h em 10,3 segundos.

Mais caro de sua época, o Santana Executivo teve apenas 4.000 exemplares feitos.

O Santana Sport foi uma edição especial com rodas esportivas, bancos Recaro e detalhes pretos.

Novo Santana

O Executivo fechou com chave de ouro a trajetória do Santana brasileiro como similar do alemão. A partir de 1991, o modelo ganhou uma atualização visual que o transformou muito mais.

Com a VW presa na Autolatina desde 1988, o Novo Santana acabaria gerando um irmão, o Ford Versailles.

O Novo Santana chegou no momento de abertura das importações e era a alternativa da VW até a chegada do Passat. Como este só chegou oficialmente em 1995, então o (velho) Novo Santana teve que se virar.

Ainda mantendo a versão duas portas, o Novo Santana ganhou frente mais longa e baixa, adotando faróis retangulares bem grandes e piscas separados. Além disso, recebeu para-choques mais envolventes, inclusive com faróis de neblina elevados.

A carroceria recebera extensão na parte traseira, mais alta e volumosa, tendo novas colunas C mais largas e novas vigias laterais (tanto duas quanto quatro portas).

As lanternas traseiras ficaram maiores e cortadas pela tampa do bagageiro, que agora descia até o protetor.

O espaço no porta-malas aumentou também com o estepe sob o assoalho: 413 litros. A VW aproveitou apenas a plataforma, teto e as portas. Essa arquitetura modificada faria sucesso também na China.

Por dentro, o Novo Santana ganhou painel mais envolvente, parecido com o do Golf III com cluster dotado de três mostradores separados de iluminação vermelha.

Curvado, o painel tinha agora difusores de ar abaixo do rádio toca-fitas, comandos na parte central e ar-condicionado, ainda com alavanca na parte inferior.

O Novo Santana tinha um volante novo e mais ergonômico. Os bancos ficaram mais confortáveis e agora com apoios de cabeça vazados. A suspensão sofreu ajustes por causa da carroceria mais pesada.

O facelift fez com que o Novo Santana ficasse um pouco maior, medindo 4,572 m de comprimento, porém, mais estreito: 1,686 m de largura. A altura era de 1,417 m e o entre-eixos media 2,548 m.

Ainda assim, o novo sedã parecia muito maior que o anterior.

O coeficiente aerodinâmico baixou para 0,37 de cx. Com o etanol em baixa, o Novo Santana tinha motor AP-2000i voltava a ter 120 cavalos e 17,5 kgfm do Gol GTi de 1989, mas agora com catalisador.

Na linha 93, o Novo Santana recebeu injeção eletrônica da Ford (FIC) e passou a ter 99 cavalos no AP-1800 e os mesmos 120 cavalos do AP-2000.

O Novo Santana Sport tinha rodas “Orbital” do Gol GTi, bancos Recaro e estética esportiva, com motor 2.0 e freios ABS. Estes apareceram na linha 93 e seguiram adiante.

No decorrer da década de 90, o Novo Santana teve uma época de mudanças, onde itens como teto solar elétrico, ajuste lombar, gás R134a no ar-condicionado e tanque em plástico apareceram.

Em 1996, o Santana passava a ter nova injeção multiponto e os motores 1.8 e 2.0 entregavam 99 cavalos e 114 cavalos, respectivamente.

Já não sendo mais o sedã topo de linha, por causa do Passat alemão, o Santana ganhou as versões Mi (1.8), 2000 Mi, Evidence e Exclusive em 1997.

O Santana ganhou facelift com faróis menores e mais arredondados, assim como grade integrada ao para-choque, que agora era liso, assim como o traseiro. As lanternas foram modificadas e ficaram integradas ao visual mais liso, incluindo o protetor.

As duas primeiras eram básicas e seguiram até o fim, enquanto a Evidence tinha apelo esportivo com rodas de cinco raios. O volante tinha quatro raios e os comandos do ar agora eram circulares.

A Exclusive tinha um conteúdo melhor, mas já sem a primazia de antes. Ambas foram extintas em 2000, quando apenas foram oferecidos os pacotes Comfortline e Sportline.

Estes dois constituíram basicamente as versões Mi e 2000 Mi daí em diante.

O Santana nunca teve versão flex, embora em seus últimos anos, a VW tinha o TotalFlex desde 2003. Morreu como um carro de custo-benefício em 2006.

Autor: Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 26 anos. Há 15 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações.

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