
A Xiaomi, conhecida até pouco tempo atrás como uma simples fabricante de celulares e eletrônicos acessíveis, deu um salto ousado para se tornar uma das empresas mais ambiciosas da China.
Agora, ela mira diretamente em dois dos gigantes mais poderosos do mundo: Tesla e Apple.
Com uma fábrica de veículos elétricos digna de parque temático, chips próprios e uma estratégia de produção verticalizada, a marca quer provar que não é apenas mais uma entre tantas — é a próxima grande potência global da tecnologia.
Em Pequim, a fábrica de carros da Xiaomi virou uma atração à parte.
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Com capacidade para produzir um carro novo a cada 76 segundos, o local se tornou um ponto turístico cobiçado, exigindo reservas com um mês de antecedência e, nos períodos mais disputados, até sorteio para conseguir entrar.

Por lá, fãs da marca — os chamados “mi fen” — se aglomeram diariamente para ver de perto a linha de montagem que tenta replicar e superar os processos da Tesla.
Esse movimento não é coincidência. Lei Jun, fundador da Xiaomi, já deixou claro que sua meta é colocar a empresa no mesmo patamar das líderes mundiais em inovação e produção.
Inspirado pela Apple na área de celulares e pela Tesla no segmento automotivo, ele conduz uma transformação que deixa para trás a imagem de montadora de produtos alheios, dependente de fornecedores, para abraçar a manufatura de ponta como marca registrada.
A estratégia já começa a mostrar resultados. O primeiro carro elétrico da marca, o esportivo SU7, se tornou um dos mais vendidos da China em menos de um ano, superando quase todos os rivais, exceto o Model Y da Tesla.

Já o mais recente lançamento, o SUV YU7, atingiu a marca de 200 mil pedidos em apenas três minutos, sinalizando um apetite do mercado chinês por um concorrente nacional de peso.
Mas o confronto com Tesla e Apple vai além do setor automotivo. A Xiaomi também investe bilhões no desenvolvimento de chips próprios.
Seu processador Xring O1, fabricado em 3 nanômetros pela TSMC, alimenta seus smartphones e tablets mais avançados e marca a entrada da empresa em um clube fechado dominado por Apple, Samsung e Huawei.
A verticalização da produção virou prioridade, e a empresa já anunciou mais de R$ 200 bilhões em investimentos para os próximos anos em áreas como inteligência artificial, sistemas operacionais e semicondutores.

Com tudo isso, a Xiaomi deixou de ser apenas uma marca de gadgets baratos. Ela representa uma nova fase da indústria chinesa: agressiva, nacionalista, tecnologicamente sofisticada e pronta para exportar não só produtos, mas prestígio.
O governo de Pequim apoia publicamente a trajetória da empresa, considerando-a um exemplo da nova geração de “forças produtivas de qualidade” que o país quer cultivar para competir com o Ocidente.
A construção de uma segunda fase de sua fábrica de carros, que dobrará a capacidade de produção anual para 350 mil unidades, e uma nova planta de ar-condicionados em Wuhan, mostram que a aposta em produção pesada veio para ficar.
Para Lei Jun, o caminho é claro: competir com Apple nos celulares, com Tesla nos carros, e com ambos na influência global.
O fundador já avisou: no futuro, só sobreviverão as empresas capazes de controlar sua própria tecnologia. E a Xiaomi, ao que tudo indica, está pronta para provar que a nova líder mundial pode ter sotaque chinês.
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