
Enquanto quase toda a indústria trata o pedal da embreagem como peça de museu, a BMW encara um dilema: abandonar o manual ou encarar concessões impopulares.
Nos últimos anos, a marca deixou pistas de que o futuro seria automático, e Frank van Meel, chefe da divisão M, reforçou isso em fevereiro ao falar com repórteres.
Segundo o The Drive, van Meel disse que, sob o ponto de vista de engenharia, o manual “não faz sentido” e que mantê-lo na próxima década seria “bem difícil”.
Só que a narrativa ganhou uma reviravolta quando Sylvia Neubauer, Vice President of Customer, Brand, and Sales da BMW M, falou com a Automobilwoche.
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A mensagem dela foi direta: engenheiros da BMW trabalham ativamente para manter o câmbio manual disponível, e a empresa “promete uma solução”.
O obstáculo central não é falta de público, mas limites físicos e financeiros, porque a atual caixa manual de seis marchas tem um teto de torque.
À medida que os motores M ficam mais fortes, esse teto vira gargalo, e um exemplo citado é o 2026 BMW M2 CS, que abandonou o manual.
A razão apresentada é que o conjunto não suportaria evoluir além de 507 cv, o que empurrou Munique a deixar a versão mais focada em pista apenas com transmissão automática.
Mesmo no M2 padrão, a BMW já usa um contorno: a versão automática entrega 5,1 kgfm a mais de torque do que a manual no mesmo carro.
Essa diferença não é ao acaso, mas uma redução deliberada para evitar falhas sob carga, e pode virar a estratégia oficial para futuros modelos com três pedais.
Na prática, o manual nos BMW M não atende aos requisitos da marca quando precisa lidar com mais de 480 cv e 56,1 kgfm.
Criar uma transmissão totalmente nova resolveria, mas custaria caro demais para um mercado global de câmbio manual que hoje é de baixo volume.
O problema se agrava porque fornecedores ficam cada vez menos dispostos a fabricar componentes de caixas manuais quando o incentivo comercial diminui.
Ainda assim, a BMW sabe que mexe com identidade, e isso aparece nos números dos EUA.
Em 2025, 40% dos compradores de M2 e 50% dos de Z4 nos EUA escolheram manual, enquanto, entre M3 e M4 de tração traseira, as taxas foram 50% e 33%.
Houve leve queda em relação a 2024, e as taxas de escolha do manual na BMW M caíram em 2025 frente ao ano anterior, mesmo com algumas marcas avançando.
Para esse público, manual não é economia, é afirmação, e o alerta já existe: quando a Mini tirou o manual do JCW, as vendas caíram mais de 30%.
No fim, a pergunta que sobra é simples e cruel: os fãs do terceiro pedal topariam abrir mão de potência para manter viva a experiência que diferencia a BMW.
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