BYD escancara o atraso de Toyota e Volkswagen quando comparamos a quantidade de atualizações de software: 200 contra 8 e 5

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À medida que o carro perde cara de “máquina” e vira um pacote de telas, sistemas e funções guiadas por software, o ciclo de vida do veículo começa a se parecer com o de um smartphone.

Nesse novo cenário, atualizações remotas via OTA deixam de ser detalhe e viram instrumento para corrigir falhas, refinar recursos e até aumentar desempenho sem o dono sair de casa.

Um relatório aponta que poucas empresas entenderam essa mudança tão bem quanto a BYD, a especialista chinesa em veículos de nova energia que segue dominando manchetes, para o bem e para o mal.

A BYD vem usando OTAs como parte central da estratégia para estender a relevância tecnológica dos modelos, mantendo o carro “vivo” por mais tempo com melhorias contínuas.

Em meados de fevereiro, por exemplo, a marca liberou a quarta atualização OTA do sedã Han L, um topo de linha da família Dynasty apresentado em abril de 2025.

O pacote adiciona um sistema de assistência ao motorista aprimorado, descrito como guiado por IA de ponta a ponta para melhorar percepção e tomada de decisão em situações de condução mais complexas.

A instalação leva cerca de duas horas, e o proprietário passa a usar as novidades sem precisar ir a uma concessionária, o que muda a lógica tradicional de pós-venda.

Essa filosofia contrasta com o velho mundo das reestilizações, quando mudanças relevantes apareciam só em facelifts e, muitas vezes, anos depois do lançamento original.

Com OTA, o carro pode evoluir de forma contínua ao longo da vida útil, criando um padrão de “melhoria permanente” que o consumidor já espera no celular.

E é aqui que entra o dado que mais chama atenção no comparativo: segundo o Nikkei Asia, a BYD lançou cerca de 200 atualizações de software em 2025 para as linhas Ocean e Dynasty.

Na mesma comparação citada, a Tesla teve 16 atualizações OTA no ano, enquanto a Toyota ficou com 8 e a Volkswagen com apenas 5, números que evidenciam a distância de ritmo.

Outras chinesas também aceleram nesse terreno, como a Aito, criação da Huawei Technologies com o Seres Group, além da startup Leapmotor, que se tornou mais prolífica em updates.

A Nissan tentou mostrar reação com o novo EV N7 ao empurrar a primeira atualização apenas dois meses após o lançamento, destravando aplicativos e ampliando capacidades de reconhecimento de voz.

“Atualizações OTA precisam ser desenvolvidas antes mesmo do lançamento, como parte do ciclo de vida do carro, para acompanhar”, disse Isao Sekiguchi, diretor-gerente da Dongfeng Nissan.

Só que há um detalhe incômodo: o N7 não é um projeto Nissan totalmente do zero, mas um trabalho conjunto com a Dongfeng Motor Corporation sobre a plataforma eπ 007 do parceiro chinês.

No caso da BYD, a explicação para a cadência alta é frequentemente atribuída ao modelo de integração vertical, com semicondutores, sistema operacional e hardware sob controle interno.

Esse domínio encurta caminhos, permitindo liberar atualizações em alta velocidade sem depender tanto de fornecedores e sem mexer na experiência do usuário a cada mudança.

O porém é econômico, porque cada update tem custo de desenvolvimento, validação e distribuição, mesmo quando melhora revenda e reduz a pressão por redesenhos completos.

Na China, as atualizações costumam ser gratuitas, o que limita a chance de monetizar diretamente esse esforço e força o setor a buscar outras fórmulas de receita.

Por isso, cresce a discussão de modelos por assinatura, no estilo Tesla, como vender camadas avançadas de condução autônoma como serviço.

A XPeng, por exemplo, avalia oferecer níveis mais avançados de direção autônoma, incluindo tecnologia de Nível 4, como item extra, espelhando a lógica do Full Self-Driving por assinatura na América do Norte.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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