
A pressão dos EUA sobre tecnologia chinesa começou a bater direto em empresas europeias, e a Pirelli virou um dos casos mais delicados por depender do mercado americano.
O governo da Itália decidiu limitar quantos diretores o grupo chinês Sinochem pode indicar para o conselho da Pirelli & C SpA, numa tentativa de proteger o acesso da fabricante de pneus aos Estados Unidos.
As medidas foram aprovadas nesta semana e se enquadram nas regras de “Golden Power”, mecanismo que permite a Roma blindar ativos considerados estratégicos.
A decisão também encerra mais um capítulo do malabarismo político de Giorgia Meloni, que tenta equilibrar relação com Washington e Pequim em um momento de tensão comercial.
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O governo optou por reduzir o peso da Sinochem depois que conversas entre acionistas não chegaram a um compromisso, aumentando a sensação de urgência no caso.
O estopim é o endurecimento das regras americanas sobre tecnologia chinesa, que pode restringir a presença da Pirelli no seu maior mercado.
Com a mudança, o veículo da Sinochem na Pirelli só poderá apresentar no máximo três candidatos ao conselho e nenhum deles poderá ocupar as funções de presidente do conselho ou diretor-presidente.
Não há restrição por nacionalidade, mas dois dos três indicados precisam ser independentes da Sinochem, segundo pessoas familiarizadas com o tema.
As regras ficam válidas enquanto a Sinochem mantiver mais de 9,99% das ações da companhia, informou a Pirelli em comunicado divulgado no sábado.
Hoje, a Sinochem tem oito diretores em um conselho de 15 membros, número que evidencia o tamanho da intervenção na governança.
A decisão foi tomada em reunião de gabinete na quinta-feira e as partes interessadas foram notificadas na sexta-feira, de acordo com as mesmas fontes.
O governo italiano não comentou oficialmente, a Pirelli preferiu não se pronunciar além do comunicado e a Sinochem não apresentou resposta imediata.
O pano de fundo inclui as regras de veículos conectados do Departamento de Comércio dos EUA, que entraram em vigor neste ano e barram determinados hardwares e softwares ligados à China em vendas domésticas.
A Pirelli já afirmou que os Estados Unidos representam mais de 20% da sua receita, o que explica o peso do risco regulatório sobre o negócio.
Desde que chegou ao poder, Meloni se afastou de Pequim, tirando a Itália da iniciativa Belt and Road, mas tenta manter uma relação “trabalhável” com os chineses.
O chanceler Antonio Tajani, inclusive, está previsto para viajar à China na próxima semana em missão comercial, o que adiciona sensibilidade ao timing da medida.
Roma já havia intervindo na Pirelli em junho de 2023, impondo restrições à governança e ao papel da Sinochem para proteger tecnologia estratégica e dados ligados ao sistema Cyber Tyre.
A tecnologia Cyber Tyre é considerada sensível porque empurra a Pirelli além da fabricação e a coloca no território de software e dados para veículos conectados.
O sistema combina sensores embutidos no pneu com software proprietário para enviar ao carro informações detalhadas sobre condição do pneu e status da superfície da via, com impacto em segurança e eficiência.
A Pirelli diz que a tecnologia já está no mercado, segue em desenvolvimento para plataformas premium e de prestígio e ainda pode ser aplicada em infraestrutura de monitoramento de estradas.
Mesmo com a disputa, a empresa tenta sinalizar normalidade e afirmou em fevereiro que cumpriu as metas de 2025, com lucro líquido subindo 5,9% e a dívida líquida caindo mais do que o esperado, ajudada por caixa mais forte e menor alavancagem.
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