A primeira grande fábrica da BYD na Europa já nasce com problemas: denúncia fala em vistos irregulares, sete dias de trabalho e mentira para fiscais

byd fabrica 4
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Às vésperas de ligar as linhas de montagem na União Europeia, a BYD viu sua aposta mais simbólica no continente ser associada a denúncias de violações trabalhistas.

A China Labor Watch, organização sem fins lucrativos sediada em Nova York, afirma ter encontrado indícios de abusos na nova planta da BYD na Hungria.

Segundo um relatório publicado no site da entidade na terça-feira, haveria práticas que se aproximam de servidão por dívida, uso ilegal de vistos e jornadas extenuantes.

A investigação aponta que parte dos trabalhadores chineses migrantes teria sido contratada por subcontratadas e recrutadores, criando camadas de intermediação difíceis de rastrear.

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A China Labor Watch diz que realizou trabalho de campo em outubro e novembro, após receber uma denúncia de um whistleblower ligado à planta húngara.

De acordo com a entidade, foram feitas interações com 50 trabalhadores, que relataram condições e rotinas incompatíveis com limites legais e regras de horas extras.

No local, a organização afirma ter visto sinais de um sistema multilayer de intermediários que desloca o risco financeiro para os próprios empregados.

Entre os relatos, surgem semanas de trabalho com sete dias e turnos que ultrapassariam tanto o teto de horas diárias quanto as restrições de horas extras.

O documento também diz que alguns trabalhadores foram orientados, em treinamentos antes da viagem, a mentir para inspetores sobre a quantidade real de horas trabalhadas.

A BYD não respondeu a múltiplos pedidos de comentário enviados após a divulgação das alegações, segundo a própria reportagem sobre o caso.

A Autoridade de Proteção ao Trabalho da Hungria também não respondeu imediatamente a uma solicitação de posicionamento.

O timing é sensível porque a BYD planeja iniciar a produção em massa de carros na unidade ainda neste trimestre.

A fábrica fica em Szeged, no sul da Hungria, e é descrita como o primeiro grande complexo de fabricação de automóveis da BYD dentro da União Europeia.

A montadora, sediada em Shenzhen, vem acelerando a guinada para mercados internacionais e mira elevar as vendas fora da China em mais de 40%, chegando a 1,5 milhão de unidades neste ano.

Com a Europa como peça central da estratégia, denúncias de recrutamento e trabalho sob pressão podem aumentar a vigilância pública sobre a cadeia de fornecedores.

A China Labor Watch afirma atuar há duas décadas investigando condições de trabalho, com foco em direitos laborais na China e em projetos de investimento chinês no exterior.

Se confirmadas por autoridades, as acusações colocariam sob escrutínio não só a BYD, mas também o modelo de contratação por subcontratação que sustenta parte da expansão industrial fora do país.

[Fonte: Bloomberg]

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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