
Numa indústria em que carros já rodam sozinhos em algumas cidades, a discussão sobre até onde vai a automação em motos ganhou um contraponto forte vindo da Itália.
Jason Chinnock, que comanda a operação norte-americana da Ducati e acumula mais de duas décadas na marca, deixou claro que pilotar faz parte de quem ele é.
Para o executivo, uma moto que se dirige sozinha simplesmente anula o motivo pelo qual alguém escolhe subir em duas rodas em vez de entrar num carro comum.
Ele admite que veículos autônomos fazem sentido como solução de mobilidade, pensados para levar pessoas de forma segura, suave, eficiente e quase sem esforço.
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No caso da Ducati, porém, a proposta é outra: menos deslocamento utilitário, mais entretenimento e experiência de pilotagem, com foco total no prazer de conduzir.
Chinnock resume dizendo que a empresa não se enxerga como fornecedora de mobilidade, mas como fabricante de motos que entregam alegria, emoção e diversão ao guidão.
Na visão dele, se a tecnologia tira do piloto a possibilidade de operar a moto e sentir cada reação, é mais coerente “entrar num pod e ir de A a B”.
Hoje não existem motos totalmente autônomas à venda, embora marcas como Yamaha e a empresa Omoway já testem modelos com recursos de autoequilíbrio e maior assistência.
Isso não significa que a Ducati rejeite qualquer eletrônica inteligente, especialmente quando o assunto é segurança ativa para quem está em cima da moto.
Alguns modelos já contam com controle eletrônico de cruzeiro, controle de tração e sistemas de freios com ABS, elementos pensados para corrigir excessos e evitar acidentes.
A diferença, segundo Chinnock, é que esses recursos atuam como rede de proteção e não como substitutos da habilidade, da decisão e do envolvimento direto do motociclista.
Fundada em Bolonha em 1926 e hoje integrada ao Grupo Volkswagen, a Ducati se posiciona claramente no segmento de luxo entre as motos de alta performance.
Nos Estados Unidos, os preços passam de cerca de R$ 52.200 e alguns modelos ultrapassam facilmente a faixa de R$ 208.800, reforçando o apelo aspiracional da marca.
Em 2024, a empresa vendeu aproximadamente 55.000 motos no mundo e atingiu um faturamento em torno de R$ 6,2 bilhões, consolidando um público fiel de entusiastas.
Esse tipo de cliente tende a enxergar a moto como extensão da própria identidade, algo que ajuda a entender a resistência a qualquer ideia de “piloto automático total”.
Enquanto Tesla, Waymo e, em breve, Uber colocam robotáxis para rodar em cidades como São Francisco e arredores, a Ducati aposta em manter a pilotagem como protagonista.
A empresa até admite mais assistências eletrônicas quando fizer sentido para proteger o usuário, mas traça um limite claro naquilo que tiraria o controle das mãos do piloto.
Para quem sonha com duas rodas, o recado é direto: se a intenção é apenas ser levado de um ponto a outro, o futuro dos pods autônomos já está aí; se a ideia é sentir cada curva, a Ducati quer manter você no comando.
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