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Clássicos que podem ser importados sem gastar muito $$

Clássicos que podem ser importados sem gastar muito $$

Eu sou um imenso fã de carros antigos, gosto tanto deles quanto gosto de chá e torradas. Não importa o ano, a nacionalidade ou a funcionalidade, quando se trata de carros clássicos todos meus preconceitos caem ao chão. Confesso que a década de 80 não me agradou tanto assim, boa parte disso pelo design que ficou marcado pela transição de gêneros e o notável downsizing dos motores e das ousadias no campo da engenharia.


A década de 90 está contemporânea demais para ser tratada como “clássica” e o saudosismo em cima dela chega a ser nauseante, é até perigoso apontar algum problema nos carros dessa época durante uma conversa entre amigos, pois o risco de levar uma facada é bem parecido com uma arquibancada de futebol em dia de clássico. Também não sou muito fã da década de 40 ou 50, apenas por não me identificar com tais carros, embora tenhamos a forte presença dos Hot Rod’s que os representa muito bem na área de modificados, sem falar na Velha-Guarda que é conhecida por uma das comunidades automotivas mais unidas que temos no país.

Bem antes disso, década de 20, o conceito do carro em si ainda era um pouco confuso, bastante diferente do que encontramos hoje, embora seja exatamente nessa parte da história que a indústria começou a aquecer com a entrada de Henry Ford na brincadeira.

Aqui no Brasil, principalmente, ouço muita gente reclamar da falta de opções no mercado de usados quando procuram algum carro para diversão ou hobbie. De fato, estão com razão, pois as escolhas mais famosas (e fáceis) variam entre o super-popular Volkswagen Fusca, o Chevrolet Opala, o Ford Maverick e quem sabe alguns Puma ou DKW.


Importar carros da Europa ou Ásia é uma tarefa extremamente difícil, principalmente por nossa Legislação não permitir entrar no país nada que tenha menos de 30 anos idade, o que é uma pena. Os fãs de carros JDM (Japan Domestic Market) como Nissan Skyline e Toyota Supra são a maioria na lista dos “reclamões”, já que boa parte desses ícones tem inúmeras dificuldades no processo de importação pelo alto preço cobrado em tais carros lá fora, mas ai eu pergunto: seria realmente o “fim do mundo” para os entusiastas? Fico feliz em dizer que não.

O atual ano de 2012 nos possibilita um leque de carros que já podem ser importados legalmente para o Brasil e que marcaram época no mundo inteiro, afinal, encontrar um modelo 1975 ou 1980 em estado impecável e por um preço baixo não é uma tarefa difícil, apenas no Brasil que isso se torna uma tarefa extremamente árdua.

Vamos abordar alguns exemplos aqui: para os mais conservadores da legião japonesa e fãs de carteirinha da marca Honda temos o clássico City Turbo da foto do início da matéria (chassi de codinome AA, completamente diferente do nosso City), um pequeno carro que chegou no ano de 1982 e veio na onda eminente dos hot hatchbacks, pequenos carros de cidade que eram transformados em verdadeiras máquinas inspiradas em suas versões de corrida.

Seus míseros 700kg eram impulsionados por um propulsor 4 cilindros em linha de 12 válvulas e 1.237cc, que acompanhado de um turbo rendia quase 100cv de potência e 15kgfm de torque, isso sem falar na presença da injeção eletrônica , resultando em uma performance marcante para a época: velocidade máxima de 180km/h e 0-100km/h em menos de 8 segundos. Números de dar inveja à qualquer carro nacional até hoje.

No mercado asiático esse carro pode ser encontrado entre 1 e 8 mil dólares (por volta de 2 a 16 mil reais), dependendo do modelo e do estado de conservação. Acredito que não seja só uma opinião minha isso, mas esse preço é extremamente baixo para um carro igualmente exclusivo.

Mas vamos dizer que você seja uma pessoa que não abre mão de um veículo com tração traseira para passear aos finais de semana e tenha condições de investir um pouco mais nesse hobbie que infelizmente é tão difícil de ser sustentado no Brasil. Novamente tendo os veículos japoneses como base, que tal um Nissan/Datsun 240Z (chassi S30)?

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Diferente do City citado anteriormente, esses 240Z podem ser facilmente encontrados no mercado estado-unidense, além de trazer consigo um DNA de pista que causou inveja em muito esportivo italiano nos anos que ele foi produzido. As opções de motores são variadas, a principal delas é um saudável 6 cilindros em linha de 2.4L carburado que produzia 150cv de potência e era capaz de levar o carro a velocidades acima de 195km/h, além de chegar à 100km/h na casa dos 7 segundos.

Isso sem falar das quatro suspensões serem independentes e do clássico câmbio manual de 4 ou 5 marchas, este último sendo opcional. E quanto custa um clássico japonês como esse nos EUA ? Depende do quão exigente você for, podemos facilmente encontrar carros de 700 até 15.000 dólares (algo em torno de 1.500 a 30.000 mil reais), dependendo da condição do carro ou do quão modificado ele foi pelo antigo dono, alguns deles contam até com moderníssimos motores e kits personalizados de freios e suspensão.

E vale novamente ressaltar, tais carros tem livre acesso ao nosso país tupiniquim pois passaram do prazo de 30 anos de fabricação, aos mais conservadores vale até a tentativa de conseguir uma aclamada (nesse caso, também exclusiva) placa preta.

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Sei que a maioria dos leitores fãs de carros modificados vão conhecer esse próximo exemplo: Nissan Skyline 2000GT-R KPGC10, ou entre os mais “chegados”, Skyline C10. Eu não precisaria falar mais nada sobre esse carro, mas vamos lá: a potência é fornecida originalmente por um motor 6 cilindros 2.0L que gerava 160cv de potência na versão mais completa do carro, exatamente a 2000GT-R, mas não foi por esse motivo que o carro ficou famoso entre os fãs.

A alta customização de todos seus componentes foi essencial para seu sucesso na pistas de corrida durante a década de 60 e 70 e com os entusiastas de track-day atualmente, isso sem falar em um assunto que é “tabu”, quando as corridas ilegais eram moda no Japão na década de 80, momento no qual o C10 construiu sua fama de “imbatível”.

Um impecável chassi que é referência até nos dias atuais, uma suspensão incrivelmente bem acertada e um peso reduzido davam ao Skyline C10 um pedigree único entre os carros de rua no Japão, algo bem parecido com o famigerado Subaru BRZ hoje em dia.

Uma jóia dessa pode ser encontrada tanto nos EUA como na Europa por preços razoáveis, mas é do Japão que os melhores modelos podem ser importados por uma faixa de 20 a 30 mil dólares, coisa de 40 a 60 mil reais. É um preço alto, principalmente considerando o valor final que ele chegará em solo nacional, mas para alguns vale cada centavo não só pela exclusividade, como pela paixão automotiva.

Gosto de citar os exemplos japoneses pois eles são a alternativa mais barata e exclusiva aqui no país, dificilmente verá algum veículo japonês clássico exposto ou sequer andando em nossas ruas. Sou freqüentador assíduo de eventos de colecionadores e direto vejo Corvette, Camaro, Mustang e Cia. mas raramente vejo um Nissan, Toyota ou Honda.

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Embora seja um pouco mais caros, os fãs puristas de esportivos europeus agora já podem importar os últimos modelos de Triumph ou MG, carros que pararam de ser produzidos ao final da década de 70 e início de 80 quando os hatchbackes roubaram a cena do mercado interno na Europa. Um modelo em bom estado de conservação do épico Triumph Spitfire pode ser encontrado na Inglaterra por míseras 1.800 libras, algo em torno de 4 mil reais.

Caso vá investir ainda mais na exclusividade, uma Ferrari Mondial QV, de 1982, pode ser encontrada por incríveis 14 mil libras, valor que não ultrapassa a marca dos 40 mil reais. Não é chegado no cavalo-rampante italiano ? Um alemão então, Porsche 944 Turbo, também 1982, por ridículas 2 mil libras.

Talvez você não seja uma pessoa muito interessada em esportivos e goste de um bom clássico de luxo tipicamente britânico, que tal um Jaguar XJS de 1981 e cerca de 60 mil milhas rodadas (100.000km) por menos de 3 mil libras? Tudo isso pode ser encontrado facilmente ao redor da internet e tem condições de entrar no país sem empecilho algum com a lei, e melhor ainda, ao preço final de um Maverick ou Dart.

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Como disse anteriormente, ainda não é o fim do mundo para os entusiastas e colecionadores automotivos aqui no Brasil. Literalmente, aos poucos a lei vai afrouxando a novas possibilidades vão surgindo para o nosso pacato e restrito mercado de carros usados.

Mesmo que seja um sonho distante para muitos, inclusive que vos escreve agora, recomendo dar uma pesquisada durante o tempo livre sobre o assunto, é fato quase certo de que se apaixonará por um ou outro pacato modelo nunca visto no Brasil.

Mas fica ai uma pergunta à todos: considerando o prazo mínimo de fabricação ser de 30 anos de idade para importar um carro usado, qual sonho gringo gostaria de realizar?

Por Julio Cesar Molchan de Oliveira

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