Colapso da Volkswagen nos EUA escancara fracasso da estratégia elétrica com queda bilionária

vw volkswagen logo (4)
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A aposta da Volkswagen em crescer no mercado norte-americano virou um pesadelo diante de políticas imprevisíveis, consumidores em fuga dos EVs e tarifas pesadas sobre importados, segundo reportagem do The New York Times.

A montadora alemã viu suas vendas nos Estados Unidos despencarem 20% no último trimestre de 2025, puxadas por decisões do governo que eliminaram incentivos para carros elétricos e impuseram tarifas sobre veículos e peças vindos de fora.

Ao contrário do que acontece na Europa e na China , onde os EVs seguem em alta, os consumidores norte-americanos passaram a evitar os modelos 100% elétricos, o que afetou diretamente fabricantes estrangeiras como a Volkswagen.

Marcas locais conseguem compensar os impactos por produzirem dentro do país e por terem uma linha mais alinhada à nova realidade americana, em que híbridos ganham espaço, enquanto elétricos perdem apelo.

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A situação da Volkswagen é agravada pelo fato de que grande parte de seus modelos vendidos nos EUA — como Golf, Jetta e Tiguan — são importados do México e da Europa, ficando expostos às tarifas que elevam seus preços ou corroem margens de lucro.

Mesmo com a produção do SUV Atlas em Chattanooga, no Tennessee, o alívio é pontual, já que o restante do portfólio continua vulnerável ao clima protecionista.

O prejuízo global da empresa no terceiro trimestre de 2025 foi de € 1,1 bilhão (R$ 6,8 bilhões), com destaque negativo para o desempenho na América do Norte, onde o recuo é mais acentuado que em outras regiões.

Além da Volkswagen, outras montadoras alemãs também sentiram os efeitos: a Mercedes-Benz teve uma queda estimada de 10% nas vendas nos EUA, enquanto a BMW ainda cresceu 5% no ano, mas fechou o último trimestre com retração.

Nos anos 1960, a Volkswagen chegou a liderar as importações de carros nos Estados Unidos, impulsionada pelo sucesso do Fusca, mas perdeu protagonismo com a ascensão das marcas japonesas.

Desde então, a empresa tenta reconquistar relevância no mercado americano, esforço que esbarrou em 2015 no escândalo das emissões de motores a diesel e agora enfrenta nova resistência com os EVs.

A mudança nas políticas de Washington desmontou os planos da montadora, que havia apostado alto no ID.4, seu carro elétrico montado localmente, cuja venda despencou 60% no quarto trimestre após o fim do crédito de até R$ 40 mil por veículo.

O contraste com marcas como a Toyota é gritante: enquanto a japonesa viu as vendas crescerem 8% em 2025, com quase metade dos carros vendidos sendo híbridos, a Volkswagen insiste em não oferecer esse tipo de motorização nos EUA.

Especialistas apontam que a empresa está presa em um “meio de mercado” cada vez mais estreito, com consumidores migrando para modelos de luxo ou para opções mais baratas e acessíveis.

A marca Audi, parte do grupo VW, também sofreu: teve queda de 16% nas vendas em 2025, com 165 mil unidades vendidas, enquanto a Porsche ainda não divulgou seus números.

Executivos da empresa afirmam que 2026 pode trazer recuperação, com a chegada da nova geração do Atlas, mas evitam projeções mais amplas sobre o desempenho futuro.

A falta de flexibilidade para adaptar sua linha ao perfil atual do consumidor americano, somada à lentidão para reagir às mudanças políticas, cobra um preço alto da Volkswagen.

Concessionários dizem que a empresa poderia ser tão competitiva quanto Toyota ou Honda nos EUA, se houvesse maior esforço para entender as preferências locais e adaptar sua estratégia ao novo cenário.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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