
O que antes parecia um oceano inesgotável de oportunidades para marcas premium na China agora começa a mostrar refluxo, com concessionárias tradicionais fechando as portas em silêncio.
O caso mais recente envolve uma revenda BMW em Jinan, na província de Shandong, que simplesmente encerrou as operações, retirou toda a sinalização e esvaziou os escritórios.
Segundo o site Mydrivers, apenas alguns carros de exposição ainda permaneciam no showroom, aguardando remoção, dando ao espaço um ar de loja abandonada de um dia para o outro.
Funcionários confirmaram que a autorização da marca foi encerrada por baixa performance em vendas e fim do contrato de locação, mas nenhum aviso formal foi afixado no local.
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Com a atividade da loja minguando rapidamente nos últimos tempos, comerciantes vizinhos relatam que o fechamento aconteceu de forma abrupta, sem grandes explicações ao público.
O problema é que muitos proprietários ainda mantêm pacotes de manutenção e garantias estendidas comprados nessa mesma concessionária que desapareceu subitamente do mapa.
De acordo com a imprensa local, a operação foi incorporada à loja principal do grupo Dayou Baolong, que teria assumido a responsabilidade por esses serviços normalmente.
A BMW China também reforçou que a garantia de fábrica e os pacotes de serviço podem ser utilizados em qualquer concessionária autorizada da rede no país.
Apesar disso, a sensação de insegurança permanece entre clientes que, na prática, veem sua referência de pós-venda sumir num cenário de mudanças rápidas no mercado chinês.
O fechamento de Jinan não é um caso isolado: em 2024, o número de concessionárias BMW na China encolheu 8,2%, com mais de 50 lojas fechando ou perdendo autorização.
Oficialmente, a marca fala em “otimizar a rede de vendas”, mas os números revelam uma realidade mais complexa e menos voluntária do que o discurso sugere.
Em 2025, a BMW vendeu cerca de 625.500 unidades somando BMW e Mini na China, queda de 12,5% ano a ano, voltando a patamares de 2018.
Para manter competitividade, o novo BMW X3 chegou ao mercado chinês custando US$ 14.250 mais barato que na Alemanha, valor equivalente a algo em torno de R$ 74,7 mil.
Mesmo com estratégias agressivas de preço, a pressão continua forte, especialmente com montadoras locais e EVs oferecendo margens menores e exigindo descontos cada vez mais profundos.
Casos semelhantes já vêm sendo relatados entre concessionárias de Audi, Porsche e Mercedes-Benz, que sofrem com competição intensa, cortes de tabela oficial e rentabilidade em queda.
No fim, o que aparece para o cliente é a loja fechando e a dúvida sobre quem vai cuidar do carro, enquanto a disputa por espaço no maior mercado do mundo fica cada vez mais brutal.
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