Concessionárias da Honda estão furiosas com a marca e se revoltam com projeto elétrico feito em parceria com a Sony

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A decisão da Honda de acelerar sua parceria com a Sony para lançar uma nova marca de carros elétricos provocou um racha com suas próprias concessionárias nos Estados Unidos.

Enquanto o projeto Afeela avança, representantes da rede de revendedores acusam a montadora de negligenciar os modelos tradicionais da Honda e da Acura em troca de um investimento arriscado.

O estopim da crise foi a apresentação do Afeela 1, um sedã elétrico de luxo com visual futurista e preço estimado em mais de R$ 480 mil, revelado durante a CES 2026 em Las Vegas.

A previsão é que o modelo chegue ao mercado em uma estreia restrita à Califórnia, prevista para o fim de 2026, sem qualquer envolvimento das concessionárias da marca.

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Além disso, a Honda e a Sony já trabalham em um segundo modelo da linha Afeela, um SUV elétrico com lançamento esperado para 2028.

A proposta da nova marca inclui vendas diretas ao consumidor, entregas sem intermediários e até assistência técnica feita por parceiros independentes, afastando completamente a rede tradicional de revenda.

Essa estratégia provocou reação imediata nos bastidores: a associação dos concessionários da Califórnia chegou a entrar com um processo contra a iniciativa, alegando que o formato fere o código estadual de comércio automotivo.

A Sony Honda Mobility se defende dizendo operar como empresa independente, sem obrigação de seguir as normas aplicadas à Honda tradicional.

Mesmo assim, representantes da rede alegam que a montadora está minando décadas de relacionamento com parceiros de varejo que sempre sustentaram suas marcas nos EUA.

Bill Feinstein, presidente do conselho consultivo dos concessionários da Honda, critica duramente a estratégia e o foco exagerado no novo projeto.

Segundo ele, não faz sentido apostar num sedã de luxo elétrico de R$ 480 mil em plena desaceleração da demanda por EVs, com juros altos e concorrência acirrada derrubando os preços do segmento.

Feinstein também alerta que cada recurso investido na Afeela representa menos dinheiro e engenharia destinados à renovação da linha Honda e Acura — setores onde ainda há demanda real e potencial de lucro.

Apesar da insatisfação crescente, a Honda mantém o discurso de que sempre foi clara com os concessionários sobre sua exclusão do projeto Afeela.

Internamente, a aposta é que a nova marca converse com um público mais jovem, conectado e disposto a experimentar um modelo de compra digital, sem loja física nem negociação tradicional.

A insistência da Honda nesse modelo de negócio evidencia uma mudança de rumo: menos dependência da rede de concessionárias e mais controle direto sobre vendas, marketing e relacionamento com o consumidor.

Mesmo com a resistência da base e as incertezas do mercado de elétricos, a marca parece disposta a seguir adiante com o projeto — custe o que custar.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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