Criador do McLaren F1 detona carros modernos: “grandes, pesados e mal projetados”

gordon murray
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Para Gordon Murray, a lenda por trás do McLaren F1 e do GMA T.50, a indústria automotiva moderna está indo na direção errada — e rápido.

Em vez de evoluir com inteligência, os carros estão ficando maiores, mais pesados e cada vez menos práticos, segundo ele.

“Hoje em dia é tudo guiado por marketing e contabilidade. O design virou só aparência”, dispara Murray, que defende um retorno à engenharia como norte principal do desenvolvimento automotivo.

Ao contrário do que muitos esperam de um dos maiores criadores de supercarros da história, os modelos que mais encantam Murray não são Lamborghinis ou McLarens modernos.

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Ele guarda admiração por carros “com embalagem genial” — como define projetos eficientes e bem pensados.

Entre seus favoritos estão o Renault Espace original, lançado em 1984, com três fileiras de assentos em apenas 4,3 metros de comprimento e estrutura leve em plástico e alumínio.

Outro xodó é o Renault Kangoo, veículo que ele teve em triplicata, espalhado por diferentes países.

Para Murray, o Mercedes-Benz Classe A original também foi uma obra-prima subestimada: compacto por fora, espaçoso por dentro e extremamente bem resolvido.

Enquanto isso, ele vê a maioria dos carros atuais como inflados e desnecessariamente complicados.

“Você pega um carro com teto inclinado para parecer esportivo, e perde espaço de porta-malas e conforto no banco traseiro. Isso não é design, é desperdício”, critica.

Murray lamenta que até ícones como o VW Golf tenham seguido esse caminho: “o primeiro pesava cerca de 800 kg. Agora é 25% maior e 50% mais pesado. Isso não o torna melhor.”

Ao relembrar o passado, cita a Honda dos anos 1990 como exemplo de uma marca movida pela engenharia, com motores giradores e projetos inovadores como o NSX — carro que usou diariamente por oito anos.

Hoje, afirma ao site CarBuzz, isso se perdeu: “A liderança é toda de marketing, não de engenheiros”.

Ainda assim, há exceções.

Ele reconhece o esforço da Toyota em fazer carros com alma de competição, como o GR Yaris e o GR Corolla, mas ressalta: “Eles precisam cuidar do estilo. Os Toyotas ficaram feios. E estilo importa.”

Ao ser questionado sobre qual montadora realmente mantém o espírito da engenharia viva, Murray surpreende e elogia a Mazda.

“É a única que leva leveza a sério de verdade. E os carros deles geralmente são bonitos também”, diz.

Para ele, beleza não é ostentação, mas sim prazer estético e orgulho pessoal: “Gosto de sair e olhar para o carro e pensar: uau”.

O contraste é gritante com os carros modernos, que ele acusa de sacrificar engenharia por modismos.

Murray acredita que a indústria precisa urgentemente resgatar os fundamentos que fizeram dos carros verdadeiras obras de arte: leveza, eficiência, dirigibilidade e inteligência de projeto.

Enquanto isso não acontece, o homem que criou o supercarro mais reverenciado da história continua dirigindo um Kangoo. E, sinceramente, está tudo bem para ele.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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