Crise estrutural: Stellantis empilha cargos e entrega Dodge, Chrysler e Alfa Romeo nas mãos de um só executivo

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Quando uma montadora começa a trocar chefias em sequência, o recado costuma ser claro: a crise deixou de ser pontual e virou estrutural.

É nesse cenário que Matt McAlear, que já não tinha vida fácil como CEO da Dodge desde 2024, ganhou mais duas marcas para administrar a partir desta semana: Chrysler e Alfa Romeo.

O acúmulo de funções veio após a saída de Chris Fuell da Stellantis “por motivos pessoais”, encerrando uma passagem que começou em 2021 como CEO da Chrysler e que, em diferentes momentos, incluiu também Ram e Alfa sob sua responsabilidade.

Antes de chegar ao grupo, Fuell passou mais de uma década na Ford durante os anos 1990 e 2000, uma bagagem que não impediu a Stellantis de seguir em rearranjos frequentes.

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No caso de McAlear, ele já conhecia o ecossistema Chrysler desde 2000, saiu em 2004 e voltou em 2013, ficando na Stellantis desde então em cargos variados.

Boa parte da trajetória dele foi construída em marketing e vendas, o que ajuda a explicar por que a empresa aposta nele para lidar com marcas que precisam voltar a ser desejadas.

A Dodge vinha de dois modelos sob pressão, Hornet e Charger, e a situação piorou quando o Hornet foi descontinuado, deixando ainda mais peso sobre a recuperação do Charger.

A turbulência no comando do grupo reforça o momento instável, porque no fim de 2004 o CEO Carlos Tavares saiu e foi substituído por Antonio Filosa, abrindo espaço para outras trocas.

Entre elas, a volta de Tim Kuniskis para a Ram, além de mudanças recentes na liderança da Jeep, já que Bob Broderdorf só assumiu como CEO no começo de 2025.

No fim do ano passado, a Stellantis ainda trocou seu CFO, consolidando a percepção de uma empresa que passou os últimos um ou dois anos em constante reorganização.

E, em produto e vendas, o quadro não ajuda, já que as marcas americanas do grupo tiveram queda de 3% em 2025 frente a 2024, que já tinha sido um ano fraco.

As maiores quedas percentuais foram justamente de Dodge e Alfa Romeo, agora sob McAlear, com a Dodge recuando 28% em 2025 e a Alfa despencando 36%.

A Chrysler aparece como exceção, com alta de 1%, e junto com a Jeep foi uma das únicas marcas a registrar crescimento, ainda que a base de produtos seja limitada.

O problema é que as três marcas que McAlear lidera vivem escassez de portfólio, começando pela Chrysler, que hoje basicamente vende minivans.

Na Dodge, o cardápio se resume ao Durango e ao Charger, com o Durango já antigo e o Charger dependendo de o seis-cilindros “dar liga” para sustentar a estratégia.

Na Alfa Romeo, a linha gira em torno de Stelvio e Giulia, também envelhecidos, e do Tonale, mais recente, que perdeu o “gêmeo” Hornet e também o conjunto híbrido plug-in.

No fim, a Stellantis entregou a McAlear um desafio triplo: recuperar vendas, lidar com uma dança das cadeiras interna e, ao mesmo tempo, provar que ainda há produtos suficientes para sustentar três marcas.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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