Denso, fornecedora da Toyota, faz proposta de R$ 48 bilhões e pode mudar o jogo dos chips de potência para EVs

denso fabrica eua
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Depois do trauma da falta de semicondutores, montadoras e fornecedores passaram a tratar chip como componente de segurança estratégica, e a Denso resolveu jogar pesado.

A fornecedora da Toyota fez uma proposta pela fabricante de chips Rohm, em um possível negócio de até US$ 8,3 bilhões (cerca de R$ 43,8 bilhões), mirando ampliar seu domínio em chips de gerenciamento de energia usados em EVs e data centers.

A própria Rohm disse, em comunicado na sexta-feira, que foi abordada pela Denso sobre uma aquisição de ações, mas ressaltou que nenhuma decisão foi tomada.

A Denso também afirmou que nada foi decidido, apesar de reconhecer que as empresas vêm discutindo diferentes opções estratégicas após estreitarem a relação no setor de semicondutores.

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No mercado, a reação foi imediata: as ações da Rohm terminaram o dia inundadas por ordens de compra e bateram o limite diário de alta, subindo 18%, enquanto a Denso caiu 3,4%.

O movimento não surge do nada, porque em maio as duas companhias anunciaram uma parceria estratégica em semicondutores, com foco em circuitos integrados voltados a EVs.

Depois desse acordo, as conversas evoluíram para cenários mais profundos, incluindo a possibilidade de aquisição de participação, segundo a Denso.

Atualmente, a Denso já detém cerca de 4,8% da Rohm, de acordo com dados da LSEG, o que ajuda a explicar por que a hipótese de compra ganhou tração rapidamente.

A Rohm é um nome relevante em chips de potência, componentes usados para controlar energia de forma eficiente em carros, eletrônicos e equipamentos industriais.

Essa é uma área em que o Japão ainda mantém força, mesmo com a redução do seu peso na indústria global de chips, mas o setor doméstico segue fragmentado.

O próprio ministério japonês de comércio e economia tem defendido há anos que a consolidação é necessária, o que dá contexto político e industrial para uma tentativa desse tamanho.

A busca por suprimento está por trás do apetite, porque as montadoras passaram a priorizar contratos e fontes seguras de semicondutores desde as quebras de cadeia no pós-pandemia de COVID-19.

A crise recente na holandesa Nexperia reforçou a importância dos chips de potência, depois que a escassez forçou cortes de produção na Honda e na Nissan e levou a alemã Bosch a reduzir jornadas.

A notícia do possível acordo foi publicada primeiro pelo jornal Nikkei, que estimou que a transação pode chegar a cerca de 1,3 trilhão de ienes, equivalente a US$ 8,3 bilhões (aprox. R$ 43,8 bilhões).

Se avançar, a operação não seria apenas um M&A de impacto, mas um redesenho de como fornecedores automotivos querem controlar, de ponta a ponta, a base eletrônica que define EVs modernos.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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