
Quando uma marca do tamanho da Honda passa a falar abertamente em prejuízo anual, o mercado entende que não se trata de um ajuste pontual, mas de uma mudança dura de rota.
As ações da Honda Motor caíram mais de 6% em Tóquio hoje, depois que a montadora sinalizou sua primeira perda anual em quase 70 anos como empresa listada.
Por volta de 00h40 GMT, o papel recuava 6,7% e era a maior queda do Nikkei 225, com cotação de 1.352 ienes.
Se o tombo se mantiver, será a maior queda diária da Honda desde o começo de fevereiro de 2025, ampliando a pressão sobre a estratégia recente da empresa.
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Na quinta-feira, a segunda maior montadora do Japão disse esperar um impacto de até 2,5 trilhões de ienes, equivalente a US$ 15,7 bilhões [R$ 84.214.800.000], ligado a custos de reestruturação do seu negócio de EVs.
A companhia atribuiu o choque principalmente à decisão de cancelar três modelos de EVs que estavam planejados para produção nos Estados Unidos.
A expectativa é reconhecer até 1,3 trilhão de ienes desses custos já neste ano fiscal, empurrando outros 1,2 trilhão de ienes para o próximo.
Na prática, isso desenha um ciclo de dois anos de ajustes contábeis e operacionais que tende a afetar margens, investimentos e o cronograma de lançamentos da marca.
Além dos EUA, a Honda também está reduzindo o valor contábil do seu negócio na China, onde vem perdendo competitividade.
No maior mercado automotivo do mundo, a empresa enfrenta rivais como a BYD, que ganhou tração com veículos mais avançados e guiados por software, pressionando fabricantes tradicionais.
O conjunto desses fatores ajuda a explicar por que o mercado reagiu de forma tão brusca, já que a combinação de cortes em EVs e baixa contábil na China mexe diretamente com a narrativa de crescimento.
Com o papel virando o principal declínio do Nikkei no dia, a Honda passa a ser tratada como um retrato do custo e da velocidade imprevisível da transição para EVs.
Agora, a atenção do investidor deve se voltar para o detalhamento de como a empresa vai reorganizar seu portfólio, recalibrar o ritmo de eletrificação e recuperar fôlego em mercados-chave.
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