
Depois de amargar um prejuízo histórico de cerca de US$ 26 bilhões, algo em torno de R$ 134 bilhões, a Stellantis decidiu que seu grande salvador será tudo, menos futurista.
Em vez de apostar todas as fichas em um muscle car elétrico, como tentou com o controverso Dodge Charger Daytona, o grupo agora mira a redenção em um Charger a combustão.
Na teleconferência de resultados do quarto trimestre, o CEO Antonio Filosa citou o Charger com motor a gasolina diversas vezes sempre que surgiam perguntas sobre o negócio na América do Norte.
Ele colocou o sedã lado a lado com lançamentos vitais como o novo Jeep Cherokee e o retorno do Hemi, sinalizando que o Charger ICE está no centro da estratégia regional.
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Segundo o executivo, o retorno ao segmento de muscle cars a combustão vem justamente no momento em que a Stellantis tenta se reerguer do prejuízo causado por apostas exageradas em EVs.

Filosa reconheceu que o grupo superestimou o ritmo da transição energética, cancelou e reescalonou projetos elétricos e agora busca equilíbrio entre elétricos, híbridos e motores a combustão.
Dentro desse reposicionamento, a Dodge separa claramente as famílias: Charger Daytona para o EV e Charger Sixpack para os modelos a gasolina com o novo seis-cilindros Hurricane 3.0.
O novo Dodge Charger Sixpack R/T 2026 estreia com preço base de US$ 49.995, aproximadamente R$ 258.000, posicionando-se como porta de entrada no renascido muscle car da marca.
Esse R/T usa o motor Hurricane 3.0 de seis cilindros em linha na configuração Standard Output, com 420 hp, algo perto de 426 cv, tração integral e câmbio automático de oito marchas.

O torque declarado é de 469 lb-ft, o equivalente a cerca de 64,8 kgfm, números respeitáveis para um sedã grande que pretende unir desempenho, usabilidade diária e apelo emocional.
Filosa revelou que, só nesta semana, começam a ser produzidas três novas variantes Sixpack: Charger R/T de quatro portas, Charger Scat Pack de quatro portas e o R/T de duas portas.
Elas se somam ao Charger Sixpack Scat Pack duas portas, cuja produção teve início no fim do ano passado, completando uma gama de cupês e sedãs com o mesmo motor Hurricane.
O R/T usa o Hurricane de 420 hp, enquanto o Sixpack Scat Pack vem com a configuração High Output do mesmo 3.0, entregando 550 hp, algo em torno de 558 cv, sempre com foco em desempenho.
Filosa destacou que esses três novos Sixpack responderão por cerca de 90% do volume esperado da família Charger, deixando claro que a aposta é de alto impacto para o balanço.
Do lado elétrico, o Charger Daytona começou com versões R/T e Scat Pack, mas a R/T foi cancelada, restando apenas o Scat Pack de 670 hp e cerca de 241 milhas de autonomia, pouco menos de 390 km.
Os números de vendas explicam parte da guinada: em 2025, a Dodge vendeu apenas 7.421 unidades do Charger Daytona EV, contra 75.920 exemplares do antigo Charger em 2023.
No mesmo ano, o já extinto Challenger somou mais 44.960 carros, mostrando o peso que os muscle cars a combustão tinham, por volta de 10% das vendas da Stellantis em 2025.
Diante desse contraste, o novo Charger Sixpack deixa de ser apenas um agrado aos puristas e passa a ser peça-chave para medir se a volta ao ICE pode realmente ajudar a virar o jogo financeiro do grupo.
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