
Para muitos proprietários, a rotina de revisar o carro a cada poucos milhares de quilômetros virou medo constante de ver o nível de óleo despencar antes da hora.
É justamente esse cenário que sustenta uma nova ação coletiva contra Volkswagen e Audi nos Estados Unidos, mirando o motor 2.0 turbo TSI da família EA888, um dos mais usados pelo grupo.
Trata-se do segundo grande processo envolvendo esse propulsor, sem relação com o acordo fechado no ano passado sobre falhas de turbo que também levavam a consumo excessivo de óleo.
Agora, os autores da ação afirmam que o problema estaria nos anéis de pistão, supostamente defeituosos, levando o quatro-cilindros a queimar ou perder lubrificante de forma anormal.
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Com isso, donos seriam obrigados a completar o óleo entre trocas programadas para evitar danos graves ao motor, o que reduziria o valor de revenda e a confiança no carro.
O pacote é ainda mais sensível porque o EA888 equipa desde modelos mais acessíveis, como Volkswagen Jetta GLI e Atlas, até Audi A3 e o refinado SUV Q7.
Mesmo assim, o processo se restringe a uma lista específica de veículos: Audi Q3, Q5 e Q7 de 2018 em diante, além de VW Atlas 2018–2023, Jetta GLI 2018–2024, Passat 2018–2022 e Tiguan 2018–2021.
Os autores alegam que, se soubessem do defeito, não teriam comprado ou alugado esses carros ou teriam pago bem menos por eles no momento da negociação.
Entre os relatos, aparece o de Lauren Reece, dona de um Tiguan 2021 que acendeu luz de motor, passou a funcionar irregularmente e deixou de acelerar acima de cerca de 64 km/h.
O diagnóstico apontou cárter trincado, válvula PCV quebrada e falha na tampa superior da corrente de comando e no retentor, tudo posteriormente substituído em reparo que, segundo ela, não resolve a raiz do problema.
Outra proprietária, Margaret Ponder, relata que seu Atlas 2021, com 61.000 milhas, apresentou vazamento de óleo pela tampa da corrente de comando, novamente associado a uma válvula PCV com defeito.
Já Loretta Moutra diz ter recebido um Tiguan 2018 que vazava óleo desde o início, trocou por outro Tiguan em 2022 que também apresentava vazamento e, em 2024, encerrou o leasing e migrou para um Atlas Cross Sport.
O curioso é que essa sequência de escolhas de Moutra enfraquece parte do argumento central da ação, de que os clientes teriam evitado esses modelos se soubessem do risco de problema.
Os advogados sustentam ainda que as concessionárias muitas vezes negam cobertura em garantia ou apenas substituem componentes por outros de mesma qualidade dos originais, sem correção real do defeito.
Segundo o processo, o Grupo VW não teria disponibilizado uma contramedida efetiva, como anéis de pistão mais robustos, e nem um reparo que elimine de vez o consumo de óleo.
Até o momento, não está claro se há casos documentados de motores voltando a vazar ou queimar óleo após o reparo, o que fortaleceria ainda mais a tese dos autores.
Depois do acordo anterior envolvendo turbos da mesma família de motores, resta saber se a Volkswagen decidirá novamente buscar um acerto extrajudicial ou se levará a disputa até as últimas instâncias.
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