Em crise, Nissan encerra 60 anos de produção e vende mais uma fábrica, desta vez para a Chery

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A montadora japonesa Nissan confirmou a venda de sua fábrica na África do Sul para a chinesa Chery, encerrando seis décadas de produção local e marcando mais uma etapa no seu plano de reestruturação global.

A planta de Rosslyn, nos arredores de Pretória, deve passar oficialmente às mãos da Chery South Africa até meados de 2026, com a maior parte dos funcionários sendo mantida em seus cargos.

Esse é o sétimo fechamento ou venda de fábrica promovido pela Nissan nos últimos 18 meses, reflexo de uma profunda crise financeira que levou a empresa a rever toda sua estratégia industrial.

A marca já havia encerrado operações similares em países como Espanha, México, Tailândia e Japão.

Mesmo com o fim da produção local, a Nissan garantiu que continuará importando veículos para o mercado sul-africano, oferecendo suporte aos clientes e mantendo o portfólio ativo na região.

Modelos como a picape Navara, o SUV X-Trail e o compacto Magnite seguirão à venda, com novos lançamentos previstos para 2026, incluindo o redesenhado Patrol e o inédito Tekton, um utilitário subcompacto.

Nos bastidores, a decisão está mais ligada à reestruturação financeira da empresa do que a um eventual abandono do mercado sul-africano, apesar da queda de 20% nas vendas no país em 2025.

O plano Re:Nissan, criado para tentar estabilizar a montadora após perdas consecutivas desde 2024, envolve cortes agressivos de custos, simplificação da linha de produtos e venda de ativos.

Somente no terceiro trimestre fiscal de 2025, a Nissan reportou prejuízo de 106,2 bilhões de ienes — o equivalente a cerca de R$ 3,6 bilhões.

Diante desse cenário, a Nissan também anunciou planos de vender sua sede no Japão, em um movimento que pode gerar aproximadamente R$ 2,5 bilhões, por meio de um modelo de leaseback.

Além disso, reduzirá o número total de fábricas globais de 17 para 10, além de fechar dois estúdios de design nos Estados Unidos.

Outros cortes incluem o cancelamento de novos sedãs elétricos, antes planejados para expandir sua presença no segmento zero-emissões.

Em vez disso, a empresa vai atualizar modelos antigos e priorizar agilidade nas vendas, mesmo com margens mais apertadas, instruindo concessionárias a acelerar a rotação de estoque.

Apesar da gravidade da situação, há sinais de que a estratégia está surtindo efeito, com a Nissan conseguindo limitar perdas e estabilizar parte de sua operação global.

No entanto, a concorrência com outras japonesas, chinesas e americanas segue intensa, especialmente em mercados como EUA, onde tarifas imprevisíveis sobre peças e veículos importados geram insegurança.

Rumores de que a Honda poderia produzir modelos Nissan em suas fábricas nos EUA voltaram a circular em 2025, como forma de contornar essas dificuldades e reduzir custos operacionais.

Enquanto isso, a Chery fortalece sua posição na África do Sul ao assumir uma planta estratégica, reforçando a presença global das montadoras chinesas — agora também donas de instalações que por décadas simbolizaram o poder industrial japonês.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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