
O frio cortante e as tempestades de neve nos Estados Unidos transformaram carros elétricos em heróis discretos no meio do caos energético.
Keith McGrew, morador da zona rural de West Monroe, Louisiana, não precisou procurar gasolina nem se desesperar por tomadas durante o apagão que deixou sua região sem energia.
Na terceira noite sem luz, ele ligou seu forno elétrico para assar pizza, manteve o aquecimento da casa e abasteceu aparelhos essenciais — tudo graças à sua Ford F-150 Lightning, em reportagem da Bloomberg.
Enquanto os vizinhos tentavam achar combustível para geradores, a picape elétrica funcionava como uma estação de energia sobre rodas, em silêncio e com autonomia para dias.
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Histórias como a de McGrew estão se multiplicando, refletindo o avanço dos EVs com capacidade de carga bidirecional — tecnologia que permite alimentar casas inteiras a partir do carro.

Hoje, cerca de 630 mil veículos elétricos nos EUA contam com esse recurso, chamado V2H (vehicle-to-home), segundo dados da Cox Automotive.
Apenas no último trimestre, um em cada cinco EVs vendidos já veio com essa funcionalidade embarcada.
O número de modelos com essa tecnologia também vem crescendo rapidamente: já são 14 no mercado americano, com promessas de novos lançamentos pela BMW, Tesla e Rivian ainda em 2026.
A General Motors lidera o volume de EVs com esse recurso, mas Ford, Hyundai, Kia e Volvo também estão na dianteira.
Apesar de ter encerrado a produção da F-150 Lightning, a Ford ainda conta com mais de 100 mil unidades nas ruas, muitas das quais atuaram como geradores durante as recentes crises climáticas.

O sistema de conexão residencial da marca aciona automaticamente a energia da picape quando detecta uma queda de energia na rede.
Segundo a própria Ford, o uso desse sistema quadruplicou na última semana em regiões atingidas por apagões.
Na cidade de North Canton, Ohio, John Halkias também enfrentou o frio extremo com tranquilidade.
Sua F-150 Lightning 2024 estava conectada a geladeira, aquecedores e até à cerca elétrica dos cachorros da família, Ginnie e Bernie.
Para ele, a autonomia do veículo garantiria energia para pelo menos cinco a sete dias.
Ainda que o frio intenso reduza um pouco a eficiência da bateria, os EVs se mostram muito mais confiáveis do que geradores que dependem de abastecimento físico.
E mesmo EVs sem V2H estão ajudando: modelos com função V2L (vehicle-to-load) funcionam como uma tomada portátil.
Foi o caso da moradora Kim Mestre, na Virgínia, que planejava usar seu Hyundai Ioniq 2025 apenas para garantir café quente e celular carregado — itens vitais para ela durante o blecaute.
A tendência chamou a atenção de executivos do setor elétrico, que já preveem um futuro onde EVs formam uma gigantesca rede auxiliar de energia.
A Wallbox, que fabrica carregadores bidirecionais, estima que uma frota conectada de EVs pode suprir a mesma energia de uma usina nuclear.
A General Motors já fala em programas-piloto de V2G (vehicle-to-grid), onde carros ajudam a estabilizar a rede nacional.
Enquanto isso, no interior da Louisiana, McGrew segue impressionado com o que sua picape é capaz de fazer.
Sem militância ecológica ou grandes discursos, ele já considera instalar painéis solares e pensa até em ajudar o patrão, cujo gerador a diesel ficou sem combustível no quinto dia de apagão.
“Cada dia me sinto mais esperto”, comentou. “Hoje talvez a gente tente ligar minha caminhonete na casa dele.”
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