
O começo de 2026 confirmou que as picapes chinesas deixaram de ser um produto voltado apenas ao consumo interno e passaram a depender fortemente da demanda global.
Dados do comitê conjunto de informações de mercado da Associação Chinesa de Carros de Passageiros mostram que janeiro registrou um dos melhores resultados sazonais dos últimos cinco anos.
Os embarques domésticos somaram cerca de 49 mil unidades no mês, em alta na comparação anual, sinalizando que a base de clientes local ainda sustenta volumes relevantes.
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A produção também avançou, indicando que as fábricas seguem operando em ritmo forte e se preparando para manter o fluxo de veículos ao longo dos próximos meses.
O destaque, porém, ficou por conta das exportações, que responderam por uma fatia inédita e reforçam a transformação das picapes em cartão de visita da indústria chinesa no exterior.

Aproximadamente 27 mil picapes foram enviadas a outros mercados em janeiro, número bem acima do registrado um ano antes e equivalente a mais da metade da produção mensal.
Esse patamar, perto de 54% das remessas totais indo para fora, é descrito por analistas como historicamente elevado e mostra uma dependência crescente das encomendas internacionais.
No comando desse movimento aparece a divisão de picapes da Great Wall Motor, que manteve a liderança absoluta tanto no mercado interno quanto nas exportações do segmento.
A marca detém algo próximo de 50% de participação doméstica, tornando-se a referência natural em volume, escala industrial e presença em países que importam picapes chinesas.
Ao mesmo tempo, fabricantes como JMC, Changan, JAC e a novata linha Radar, ligada à Geely, ajudam a formar um cenário mais competitivo e diversificado.

Esse avanço ocorre sobre uma base tradicional de demanda ligada a construção civil, pequenas empresas e logística, ainda responsáveis pela maior parcela do consumo interno.
Especialistas ressaltam, contudo, que hoje é a performance de exportação que faz a diferença no balanço, compensando oscilações regionais nas vendas dentro da própria China.
Paralelamente, as picapes de nova energia começam a ganhar relevância, mesmo que ainda representem uma fração relativamente pequena do total.
Em janeiro, cerca de 6 mil picapes eletrificadas, entre modelos totalmente elétricos e com extensor de autonomia, foram comercializadas, crescendo mais rápido que o restante do segmento.

Marcas como BYD e Geely Radar protagonizam essa frente, apostando em picapes EVs voltadas tanto para uso urbano quanto para aplicações profissionais em mercados com incentivos verdes.
O nicho ainda é emergente, mas a combinação de novos produtos e avanço da infraestrutura de recarga pode ampliar de forma consistente essa fatia ao longo dos próximos anos.
No geral, os dados de janeiro indicam um mercado estruturalmente robusto em produção e exportação, mas com demanda interna variando conforme região, perfil de cliente e tipo de modelo.
As estratégias cada vez mais orientadas ao exterior, aliadas à consolidação de líderes tradicionais e ao surgimento de picapes eletrificadas, ajudam a desenhar o rumo do segmento no início de 2026.
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