
A Stellantis está promovendo uma guinada drástica em sua política de trabalho, numa tentativa ousada de reformular a cultura organizacional e enfrentar a queda de desempenho nos Estados Unidos.
A montadora, dona de marcas como Jeep, Ram, Fiat e Alfa Romeo, decidiu exigir que seus funcionários americanos estejam presencialmente nos escritórios cinco dias por semana a partir de 30 de março.
A nova diretriz começa a valer antes para os cargos de diretoria e superiores, com exigência de comparecimento total a partir de 16 de fevereiro.
Segundo comunicado interno assinado pelo CFO Joao Laranjo, a medida visa melhorar a satisfação dos clientes e incentivar inovação, além de fomentar mentoria e desenvolvimento de habilidades.
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O documento “Back Together We Win”, enviado aos colaboradores com as novas regras, descreve a volta obrigatória como uma “iniciativa global” que será implementada em todas as regiões onde a Stellantis atua.
Apesar disso, o cronograma pode variar conforme a capacidade de infraestrutura de cada país para receber todos os funcionários ao mesmo tempo.
Nos Estados Unidos, a transição será feita de forma escalonada ao longo de dois meses, com a expectativa de promover mais engajamento prático com os produtos e tecnologias da empresa.
A Stellantis reforçou que, embora horários flexíveis ainda sejam permitidos, os empregados deverão passar a maior parte do expediente dentro das instalações físicas da empresa.
Cada colaborador terá que negociar com seu gestor os horários exatos de presença obrigatória.
Como parte do pacote de apoio, a companhia vai oferecer recursos como descontos em serviços de creche e até 10 sessões gratuitas de aconselhamento psicológico por ano, por meio do programa de assistência ao empregado.
A empresa já havia reduzido a flexibilidade em março do ano passado, exigindo presença entre três e cinco dias por semana.
Com cerca de 250 mil empregados no mundo todo, a Stellantis segue uma tendência de endurecimento das políticas de trabalho remoto adotada por outras montadoras.
A Ford, por exemplo, comunicou em junho que os empregados deveriam voltar ao escritório ao menos quatro vezes por semana a partir de setembro, sob risco de demissão em caso de descumprimento.
A Toyota seguiu o mesmo caminho em janeiro de 2025, impondo a presença de quatro dias semanais em seus escritórios na América do Norte.
A decisão da Stellantis surge em meio a um período turbulento: a empresa perdeu participação no mercado americano, seu desempenho em bolsa ficou aquém do esperado, e a liderança mudou no fim de 2024.
Carlos Tavares, que comandava a montadora desde sua criação em 2021, deixou o cargo em dezembro e foi substituído por Antonio Filosa, ex-CEO da Jeep.
O novo comandante assume com um discurso centrado em produtividade e integração física, contrariando a tendência de modelos híbridos adotada por gigantes de tecnologia e até do próprio setor automotivo.
Enquanto a Stellantis defende a volta ao presencial como uma “necessidade competitiva”, o impacto sobre a moral e retenção de talentos ainda é incerto.
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