Ford procura encolher as baterias para conseguir alcançar a meta de ter um EV que custe menos de 150.000 reais

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Enquanto os EVs chineses avançam pelo mundo e viram pesadelo para as montadoras tradicionais, a resposta mais agressiva da Ford passa por um projeto que parece tudo, menos convencional.

Depois de anunciar em dezembro um recuo de cerca de R$ 101,8 bilhões em planos de eletrificação, a marca agora quer provar que não abandonou a briga e prepara uma nova linha de EVs de entrada.

O objetivo é lançar, a partir do ano que vem, modelos mais baratos e eficientes, culminando em uma picape elétrica média em 2027 com preço próximo de R$ 156.600, ou seja, 30.000 dólares.

Isso colocaria o novo EV cerca de R$ 104.400 abaixo do valor médio de um carro novo nos Estados Unidos, aproximando de vez o custo de um elétrico do de um modelo a combustão.

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Segundo Doug Field, responsável por EVs, software e design, só dá para chegar nesse patamar sendo “maníaco” com eficiência e com a missão exata de cada veículo.

A Ford diz ter projetado a próxima geração de EVs para ser mais leve, aerodinamicamente mais limpa e eletricamente mais eficiente, permitindo reduzir o tamanho da bateria e ainda ganhar alcance.

Em uma recente ofensiva nas redes sociais, a montadora afirmou que conseguiu aumentar a autonomia em cerca de 80 quilômetros, mesmo encolhendo um dos componentes mais caros do carro.

Essa corrida por custo vem diretamente da pressão chinesa, que o CEO Jim Farley já classificou como “ameaça existencial” para as fabricantes ocidentais.

Marcas como a BYD dominam o mercado mexicano de EVs e híbridos plug-in, enquanto o Canadá abriu espaço para a importação anual de dezenas de milhares de veículos chineses com tarifas mais brandas.

Farley repete que não dá para vencer as chinesas só no preço, e que a única saída é reduzir a diferença de custo e compensar com inovação em produto e tecnologia.

Para isso, a Ford criou uma plataforma batizada de “universal electric vehicle” e isolou o time responsável por ela, trazendo o ex-Tesla Alan Clarke para comandar o projeto a partir da Califórnia.

Longe da complexidade de Dearborn, o grupo recrutou especialistas em aerodinâmica da Fórmula 1 e instituiu uma “cultura de recompensas” para quem conseguisse tirar peso e custo do veículo.

O resultado, segundo a empresa, é uma picape até 15% mais eficiente aerodinamicamente do que qualquer outra do mercado e muito mais leve que as rivais elétricas atuais.

A estrutura usa apenas duas grandes peças de alumínio no lugar de 146 componentes estruturais empregados na Maverick, o que permite rodar com uma bateria menor, responsável por cerca de 40% do custo de um EV.

Essa receita, somada a uma arquitetura elétrica simplificada, derrubou o número de peças em aproximadamente 20% e reduziu em 40% o tempo de montagem, com necessidade de 600 funcionários a menos na fábrica de Louisville.

Mesmo cortando custos em todas as frentes, Clarke insiste que a verdadeira disputa será na “guerra de conteúdo”, entregando um carro acessível, mas sem cara de versão pelada.

A prova disso é que a nova família de EVs deve estrear, em 2028, um sistema semiautônomo que permitirá ao motorista tirar os olhos da estrada em determinadas condições.

A Ford afirma que a eficiência extra do projeto ajudou a viabilizar essa tecnologia avançada em um veículo de preço mais baixo, sem estourar o orçamento.

No pano de fundo, Farley também discute em Washington formas de limitar a entrada de montadoras chinesas via joint ventures com controle americano, mostrando que a batalha é técnica, comercial e política.

Para a marca, porém, a meta final é simples de explicar e difícil de executar: não basta fazer um EV barato; é preciso torná-lo desejado o suficiente para disputar espaço direto com os chineses.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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