Depois do quase-casamento fracassado, Honda, Nissan e Mitsubishi voltam à mesa: será que desta vez vai?

Três homens de terno em frente a um painel com os logotipos da Nissan, Honda e Mitsubishi Motors.
Executivos aparecem lado a lado diante de um painel com os logotipos de Nissan, Honda e Mitsubishi Motors.

Honda, Nissan e Mitsubishi seguem em conversas que não acabam nunca, tentando encontrar um formato de parceria que reduza custos de tecnologia sem ferir demais o orgulho de cada marca.

O pano de fundo é simples e cruel: desenvolver novas plataformas, eletrificação e software conectado ficou caro demais para ser bancado sozinho, especialmente em grupos que não estão voando em vendas.

No fim de 2024, o anúncio de um possível grande acordo entre Honda e Nissan chegou a soar como fusão histórica, mas a empolgação durou pouco quando as condições começaram a aparecer.

O prazo para formalizar o entendimento passou sem assinatura, e os bastidores mostraram que a Honda queria posição de controle, enquanto a Nissan preferia um arranjo mais equilibrado entre as partes.

Desde então, o discurso oficial virou algo bem mais cauteloso, com executivos falando em “explorar possibilidades” e “fornecimento complementar de modelos”, sem detalhar nada de verdade.

Na Honda, o vice-presidente executivo Noriya Kaihara reconheceu que as conversas continuam, inclusive em temas de software, mas ressaltou que cada empresa avançou sozinha e ainda não é hora de bater o martelo.

Do lado da Mitsubishi, o tom é parecido: o CEO Takao Kato limita-se a dizer que os diálogos progridem e, se renderem algo concreto, serão incorporados ao próximo plano de médio prazo.

Por enquanto, o exemplo mais visível dessa aproximação é o Mitsubishi Outlander PHEV emprestando base ao Nissan Rogue PHEV, num típico caso de reaproveitamento de projeto com crachá diferente.

Na Nissan, o novo CEO Ivan Espinosa classifica as negociações como construtivas e positivas, com foco muito forte em América do Norte, onde tarifas e pressão competitiva apertam o cerco.

A ideia é que uma maior coordenação com Honda e Mitsubishi possa gerar sinergias em produtos, componentes e até software, ajudando a diluir custos em um mercado-chave e cada vez mais hostil.

Paralelamente, a própria Nissan tenta provar que consegue se virar sozinha, com o programa Re:Nissan já entregando economia de 160 bilhões de ienes e mirando 250 bilhões neste ano fiscal.

A empresa anunciou o fechamento ou consolidação de sete unidades pelo mundo e afirma ter reduzido em cerca de 15% o custo de engenharia por hora, numa reestruturação pesada.

Espinosa destaca que, mesmo com vendas pressionadas e tarifas pesando no resultado, a companhia vem executando o plano com disciplina e melhorando a rentabilidade da nova linha de produtos.

Com 2,1 trilhões de ienes em caixa e equivalentes, a Nissan projeta voltar ao lucro até o fim do ano fiscal de 2026, tentando chegar mais forte à mesa de negociação com possíveis parceiros.

A Honda, por sua vez, reorganiza sua operação em duas grandes frentes — Business Strategy Unit e Regional Business Units — para afinar planejamento de produtos e respostas a cada mercado.

No fim, o que era vendido como fusão bombástica hoje se parece mais com uma situação indefinida, em que compartilhamento de modelos, plataformas e software pode avançar antes de qualquer grande casamento formal.

O que você achou disso?

Clique nas estrelas

Média da classificação 4,6 / 5. Número de votos: 12

Continue lendo

Compartilhe esta notícia

Receba as notícias em tempo real

Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

Ver todas as reportagens de Eber →