
A promessa da Ford para os próximos anos pode redefinir o que se espera de um carro elétrico acessível: direção autônoma total e inteligência artificial embarcada por um preço comparável ao de um SUV compacto no Brasil.
O plano da montadora é lançar, em 2028, um veículo elétrico com sistema de condução nível 3 — que permite tirar as mãos do volante e os olhos da estrada — custando cerca de 30.000 dólares, ou R$ 165 mil.
Diferente de rivais como Tesla, GM e Rivian, que estreiam tecnologias avançadas em modelos de luxo, a Ford quer inverter essa lógica e trazer inovação direto para veículos de alto volume.
O modelo que vai estrear essa tecnologia deve sair da chamada “Plataforma Universal de EVs”, uma arquitetura flexível voltada para carros mais compactos e acessíveis.
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A estreia dessa plataforma está prevista para 2027 com uma picape elétrica média, e o veículo com direção autônoma viria logo depois, em 2028.
Segundo Doug Field, executivo-chefe de tecnologia da Ford, o objetivo é entregar as inovações onde há mais demanda e escala, reduzindo custos e acelerando adoção.
A nova plataforma reduz em 20% o número de peças em relação a veículos convencionais, diminui em 25% os fixadores, corta 40% das estações de trabalho nas fábricas e agiliza a montagem em 15%.
A tecnologia de direção autônoma, chamada de “eyes-off” (olhos fora da estrada), é equivalente ao nível 3 da escala da SAE e deve usar sensores e software próprio da marca.
Hoje, a Ford já oferece o BlueCruise, um sistema de assistência de condução nível 2 que permite dirigir com as mãos livres em rodovias, mas ainda exige atenção constante do motorista.
No entanto, o avanço para o nível 3 permitirá que o motorista realmente se desconecte da tarefa de dirigir sob certas condições, algo ainda raro no mercado.
A aposta faz parte de uma estratégia liderada por uma equipe interna “secreta”, apelidada de skunkworks, criada após bilhões de dólares em prejuízo com mudanças nas metas para EVs.
A mesma equipe está por trás da reformulação do foco da Ford, que agora mira em EVs menores e mais baratos, deixando de lado os grandes SUVs e picapes que dominavam a estratégia anterior.
A montadora anunciou um investimento de R$ 27,5 bilhões nos EUA para viabilizar a produção de veículos e baterias da nova geração.
Além da direção autônoma, a Ford também vai lançar um assistente virtual com inteligência artificial, previsto para estrear em 2026 via aplicativos e, depois, integrado aos carros em 2027.
Esse assistente será capaz de interpretar imagens, como analisar se o carro pode rebocar um trailer, ou calcular quantos sacos de terra cabem no porta-malas.
A base para isso será uma nova arquitetura digital unificada, que substituirá os sistemas fragmentados por um “cérebro” único que integra áudio, infotainment, rede e assistência ao condutor.
A proposta é criar carros que evoluam com o tempo, com atualizações mais ágeis e uma experiência mais fluida, confiável e personalizada.
Enquanto outras marcas colocam direção autônoma em SUVs de mais de R$ 700 mil, como o Cadillac Escalade IQ da GM, a Ford tenta popularizar a tecnologia e tornar realidade um futuro onde EVs inteligentes não sejam privilégio de poucos.
Ainda não há detalhes sobre quais modelos receberão o sistema depois da estreia, mas a intenção é expandir gradualmente, priorizando as aplicações de maior impacto para o consumidor.
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