
A Honda entrou na mira de investidores ativistas após anunciar a venda de uma participação majoritária na sua subsidiária Yutaka Giken por um valor que está sendo considerado drasticamente inferior ao de mercado.
A crítica partiu da gestora suíça GAM Holding AG, que classificou o preço do acordo como “incompreensivelmente baixo” e já avalia medidas legais para impedir a conclusão da transação e buscar um valor mais justo.
Segundo a Honda, o controle de 50% da Yutaka Giken será vendido à indiana Samvardhana Motherson International Ltd. por ¥1.470 por ação — menos da metade do valor de mercado atual.
Na mesma negociação, a Motherson pretende comprar os demais papéis detidos por acionistas minoritários a ¥3.024 cada, enquanto os papéis da Yutaka Giken estavam cotados a ¥3.190 na bolsa de Tóquio na quarta-feira.
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“É inaceitável que a Honda venda sua parte por um valor tão baixo, enquanto os minoritários receberiam mais do que o dobro. Isso levanta sérias dúvidas sobre transparência e possíveis conflitos de interesse”, afirmou Albert Saporta, CEO da GAM, em carta aberta à montadora e à subsidiária.
Essa é a segunda vez em poucas semanas que uma montadora japonesa enfrenta forte pressão de investidores em torno de uma operação entre partes relacionadas.
A Toyota também está sendo desafiada pela gestora Elliott Investment Management, que considera insuficiente a proposta para comprar o restante da Toyota Industries Corp., mesmo após uma oferta revisada.
No caso da Honda, a GAM já havia solicitado no mês passado que a Yutaka Giken cancelasse o negócio ou renegociasse os termos para garantir uma valorização adequada dos ativos.
A firma afirma que métricas básicas de avaliação apontam para um valor 50% a 70% superior ao da proposta atual.
A transação prevê que a Motherson compre 81% da Yutaka Giken por cerca de ¥27 bilhões (aproximadamente US$ 176 milhões).
A Honda manterá uma fatia de 19% na empresa, que produz componentes metálicos, sistemas de freios, motores elétricos e soluções de gerenciamento térmico.
Além disso, a Motherson também vai adquirir 11% da Shinnichi Kogyo, outra subsidiária ligada à Honda.
Até o momento, a montadora japonesa não se pronunciou oficialmente sobre as críticas ou sobre os questionamentos levantados pela GAM.
O episódio reacende discussões sobre governança corporativa no Japão e pressiona montadoras tradicionais a oferecer mais transparência em suas negociações internas, sobretudo quando envolvem empresas controladas e minoritários em desvantagem.
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