
O avanço dos carros conectados começa a cobrar um preço jurídico alto para a General Motors, agora acusada de transformar tecnologia de conveniência em negócio bilionário de dados.
A procuradora-geral de Iowa, Brenna Bird, entrou com uma ação contra a GM no Tribunal do Condado de Polk, alegando que a montadora vendeu informações de motoristas sem autorização.
Segundo a denúncia, sistemas como OnStar e outras plataformas telemáticas instaladas nos veículos coletavam detalhes minuciosos sobre a condução diária dos proprietários em Iowa.
Entre os dados supostamente monitorados estariam velocidade, uso de cinto de segurança, hábitos de direção e até localização, formando um retrato preciso do comportamento de cada motorista.
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O processo afirma que essas informações eram repassadas a corretores de dados, que por sua vez as vendiam a seguradoras interessadas em ajustar preços ou restringir cobertura.
De acordo com a ação, essas seguradoras teriam utilizado os dados para aumentar prêmios, negar renovação de apólices ou até cancelar contratos com base no perfil de risco medido.
A acusação central é de que a GM violou a Iowa Consumer Fraud Act ao omitir, no momento da compra, a real extensão da coleta e do uso das informações.
Na comunicação oficial, o OnStar é apresentado como serviço para “experiência de condução mais segura e aprimorada”, com acesso rápido a emergências, mapas, segurança e diagnósticos remotos.
Documentos citados no processo apontam que, em 2018, os planos variavam de US$ 14,99, cerca de R$ 77, a US$ 59,99 por mês, algo em torno de R$ 310, dependendo do pacote.
A procuradora-geral sustenta que muitos clientes foram levados a crer que a adesão ao OnStar era obrigatória para usar funções básicas de segurança, sem clareza sobre a coleta de dados.
A ação também afirma que não foi devidamente informado que a inscrição no serviço abriria caminho para que dados pessoais fossem vendidos a terceiros sem consentimento explícito.
Entre as empresas que teriam recebido informações vindas da GM aparecem nomes como Verisk Analytics e Wejo, com início das operações de venda por volta de 2015.
O processo relata que a prática teria continuado até 2024, quando reportagem do New York Times trouxe a público as suspeitas sobre repasse de dados de motoristas pela montadora.
Após a repercussão, a GM admitiu compartilhar “insights selecionados” e, mais tarde, declarou que interromperia o envio de novos dados para esse tipo de uso, segundo a petição.
Em 2025, a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos divulgou uma minuta de queixa ligada ao programa OnStar Smart Driver e concluiu o caso com uma ordem formal em janeiro de 2026.
Essa ordem do FTC impõe à GM uma proibição de cinco anos de divulgar dados de geolocalização e comportamento de direção a agências de relatório de crédito ao consumidor.
Com base nesse histórico, Iowa agora pede à Justiça que a GM seja obrigada a destruir dados pessoais remanescentes e indenizar consumidores prejudicados pelas práticas questionadas.
“Iowanos merecem saber quem está coletando, usando e vendendo seus dados e por quê”, afirmou Brenna Bird, acusando a montadora de priorizar lucro em detrimento da confiança dos clientes.
Em resposta, a GM limitou-se a dizer, em nota enviada à emissora local WHO 13, que está analisando a queixa e que continua “comprometida em proteger a privacidade dos consumidores”.
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