
A transição global para veículos totalmente livres de emissões está acontecendo mais devagar do que o esperado, complicando os planos para descarbonizar o transporte rodoviário e reduzir a poluição urbana.
Diante desse cenário, montadoras passaram a defender os híbridos como solução intermediária — e a estratégia parece ter conquistado a União Europeia.
Em dezembro, o bloco recuou da proposta de proibir carros a combustão a partir de 2035 e abriu espaço para modelos híbridos em sua meta de zerar as emissões líquidas até 2050.
A mudança coincide com a crescente popularidade dos híbridos entre consumidores que buscam reduzir emissões e economizar combustível, mas que ainda veem os elétricos como caros, limitados em autonomia e difíceis de recarregar.
Veja também
Apesar disso, a real eficiência ambiental dos híbridos continua em debate.

Os híbridos tradicionais combinam um motor a combustão com um ou mais motores elétricos, reduzindo o consumo de combustível e as emissões, especialmente em uso urbano com frenagens e acelerações frequentes.
Já os plug-in híbridos (PHEVs) podem ser carregados na tomada e rodar apenas com eletricidade por curtas distâncias — em teoria.
Na prática, muitos donos raramente conectam seus PHEVs à rede elétrica, fazendo com que operem como carros comuns, mas com baterias pesadas e pouco utilizadas.
Dados da ONG Transport & Environment mostram que, no uso real, esses modelos emitem quase cinco vezes mais CO₂ do que indicam os testes oficiais.
Mesmo assim, os híbridos voltaram a ganhar tração.

A partir de 2023, o ritmo de crescimento dos elétricos começou a desacelerar em mercados como Europa e Estados Unidos, especialmente entre consumidores mais sensíveis a preço.
A escassez de pontos de recarga e o medo de ficarem sem bateria também afastaram potenciais compradores.
Grandes montadoras, como Ford e Volkswagen, já anunciaram cortes nos investimentos em EVs para redirecionar parte do foco aos híbridos.
Enquanto isso, marcas asiáticas como Toyota e Honda — que nunca abandonaram a tecnologia — agora colhem os frutos da persistência, encontrando uma demanda crescente por soluções que exigem menos mudanças no hábito do motorista.
Em regiões do sul da Europa, onde a infraestrutura de recarga ainda é precária e os elétricos seguem caros, os híbridos têm avançado com mais rapidez.
A proposta agora defendida por montadoras como a Toyota é de um “caminho múltiplo”: oferecer EVs, híbridos e modelos a hidrogênio, adaptando-se à realidade de cada mercado.
Ambientalistas, no entanto, veem essa abordagem como uma desculpa para adiar a eletrificação total.
Para críticos, manter híbridos por mais tempo pode retardar o investimento em infraestrutura elétrica e perpetuar a dependência de combustíveis fósseis.
A crítica se intensifica no caso dos PHEVs corporativos.
Na Europa, é comum que empresas arquem com o combustível, mas não com a conta de luz usada na recarga em casa — o que desestimula o uso da energia elétrica.
Em áreas urbanas, muitos motoristas também não têm acesso fácil a tomadas, e em alguns mercados a tarifa residencial de eletricidade subiu mais do que o preço da gasolina.
A atualização dos testes de emissões da União Europeia, prevista para os próximos anos, pode mudar o cenário.
Se os PHEVs forem testados de forma mais realista, as montadoras podem ser obrigadas a repensar sua estratégia.
Até lá, os híbridos seguirão como uma solução temporária, disputando espaço entre o pragmatismo econômico e as exigências climáticas de longo prazo.
📨 Receba um email com as principais Notícias Automotivas do diaReceber emails
📲 Receba as notícias do Notícias Automotivas em tempo real!Entre agora em nossos canais e não perca nenhuma novidade:
Canal do WhatsAppCanal do Telegram
Siga nosso site no Google Notícias










