
A maior fabricante de baterias da Coreia do Sul enfrentou um duro revés no último trimestre de 2023, revelando um prejuízo inesperado que escancara o enfraquecimento da demanda global por veículos elétricos.
A LG Energy Solution registrou uma perda operacional de 122 bilhões de won, cerca de R$ 449 milhões, entre outubro e dezembro, contrariando expectativas de analistas que previam um lucro modesto no mesmo período.
O resultado só não foi pior graças aos subsídios do governo dos EUA para produção avançada, sem os quais o prejuízo teria ultrapassado os 450 bilhões de won.
A receita da companhia também caiu, recuando 4,8% no comparativo anual, fechando o trimestre em 6,1 trilhões de won.
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As ações da LG Energy caíram 0,8% no fechamento da bolsa de Seul e acumulam uma queda de cerca de 20% no último mês, refletindo o pessimismo crescente com o futuro dos EVs.
A crise no setor tem sido particularmente intensa nos Estados Unidos, onde a administração de Donald Trump suspendeu incentivos fiscais para compra de veículos elétricos e enfraqueceu as exigências de eficiência energética.
Grandes montadoras sentiram o impacto direto. A General Motors já alertou para um prejuízo de mais de R$ 30 bilhões por causa da desaceleração, enquanto a Ford anunciou perdas de cerca de R$ 100 bilhões com a reestruturação de sua divisão de EVs.
A LG Energy também foi atingida por cancelamentos de contratos bilionários. A Ford rompeu um acordo de R$ 50 bilhões com a empresa, e a alemã Freudenberg abandonou uma parceria de R$ 19 bilhões, alegando saída do setor de baterias.
A pressão não vem só das montadoras.
A empresa enfrenta concorrência acirrada da China, tarifas mais duras dos EUA e ainda tenta se recuperar dos danos de uma operação migratória que resultou na detenção de centenas de trabalhadores sul-coreanos em uma fábrica na Geórgia, operada em parceria com a Hyundai.
Como resposta, a LG Energy tem apostado na diversificação.
Está vendendo parte de suas operações conjuntas com a Honda nos EUA e acelerando sua entrada no segmento de sistemas de armazenamento de energia (ESS), com novas linhas de produção em construção no Arizona e em Michigan.
O CEO Kim Dong Myung afirmou que o foco agora é reequilibrar o portfólio da empresa e explorar o crescimento acelerado do mercado de ESS, que considera uma oportunidade estratégica.
A empresa também quer aplicar inteligência artificial no desenvolvimento de produtos, materiais e processos fabris, visando melhorar a produtividade em pelo menos 30% até 2030.
Apesar de um crescimento de 70% nas entregas da divisão de ESS, os custos iniciais da operação e os impactos da crise migratória nos EUA ainda pesaram no balanço.
A transição, portanto, será longa e custosa. E até lá, a LG Energy precisará lidar com um cenário cada vez mais instável, onde a promessa dos veículos elétricos já não garante o mesmo entusiasmo – nem os mesmos lucros.
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