
Num momento em que o interesse do investidor migra do carro para a segurança, a Porsche SE decidiu acelerar investimentos em defesa após sentir o baque do desempenho da Volkswagen e da Porsche AG.
A holding da dinastia automotiva Porsche-Piëch informou que vai ampliar sua exposição ao setor, em um cenário em que conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio impulsionam ações de defesa e tecnologia.
No pregão da quinta-feira, os papéis da Porsche SE chegaram a cair 2,7% no início das negociações, ficando abaixo do desempenho do índice mais amplo.
A empresa, maior investidora da Volkswagen, detém 31,9% das ações e 53,3% dos direitos de voto, além de possuir 12,5% da fabricante de esportivos Porsche AG.
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A Porsche SE reportou lucro ajustado após impostos de € 2,9 bilhões (R$ 17,5 bilhões) em 2025, queda de cerca de 9% na comparação anual.
O recuo ocorreu depois que Volkswagen e Porsche AG foram atingidas por bilhões de euros em custos ligados a tarifas e pela decisão de interromper a expansão de EVs da Porsche em setembro.
Enquanto os ativos centrais automotivos pressionaram o resultado, os investimentos menores da holding geraram € 193 milhões em lucro no ano, com destaque para Quantum Systems e Celestial AI.
A Quantum Systems é descrita como fabricante de drones, enquanto a Celestial AI aparece como uma startup de semicondutores, duas apostas que ajudaram a compensar parte do peso do setor automotivo.
“De modo geral, a Porsche SE vê potencial de crescimento significativo no setor de defesa e segurança”, disse o CEO Hans Dieter Poetsch, indicando que novos aportes virão.
A companhia anunciou um investimento de € 100 milhões (R$ 604,3 milhões) em um fundo de defesa recém-lançado pela DTCP, voltado a startups europeias em áreas como ciberdefesa e IA.
Apesar da guinada, Poetsch afirmou que a empresa segue comprometida com a Volkswagen como investidora âncora, após € 1 bilhão (R$ 6,0 bilhões) em cortes de custos no grupo no ano passado.
Segundo ele, tanto o CEO da Volkswagen, Oliver Blume, quanto o CEO da Porsche AG, Michael Leiters, que assumiu de Blume em janeiro para reestruturar a subsidiária, têm o apoio da Porsche SE.
Com a pressão por margem e a tentativa de reaquecer vendas na China, o maior mercado automotivo do mundo, a necessidade de reduzir despesas se intensificou em todo o grupo.
Poetsch disse que o Grupo Volkswagen estuda desinvestimentos, citando que a companhia acumulou ao longo dos anos subsidiárias que não são centrais para o negócio automotivo.
“Há discussões em andamento em vários lugares para finalizar potenciais desinvestimentos e acredito que esse tema certamente continuará a evoluir ao longo do ano”, afirmou o executivo.
Um porta-voz da Volkswagen disse que a gestão ativa do portfólio é um elemento importante da estratégia do grupo, sem detalhar quais ativos podem entrar no radar.
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