“Não temos chance”: CEO da Honda diz que a marca não tem condições de brigar com as chinesas no momento

honda toshihiro mibe
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O susto não veio só do CEO da Ford dizendo ter se apaixonado por um SUV elétrico chinês que ele usou nos EUA, porque o pânico já virou conversa de presidente.

Agora foi a vez de Toshihiro Mibe, presidente da Honda, admitir o tamanho do abismo ao dizer “não temos chance contra isso” após visitar um fornecedor em Xangai.

Segundo a Nikkei Asia, a frase saiu depois de Mibe ver uma fábrica na China sem humanos no chão de produção, operando com velocidade, custo baixo e qualidade.

Para a Honda, que já vem apanhando no mercado chinês, a cena virou um retrato cruel de como os rivais locais aprenderam a jogar melhor.

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Em março, a empresa anunciou que estava cancelando todos os três EVs que projetava para os EUA, além de encerrar o projeto conjunto com a Sony.

Executivos reconheceram que a Honda “não conseguiu entregar produtos que oferecessem melhor relação custo-benefício do que os novos fabricantes de EVs”, perdendo competitividade.

O resultado foi a combinação de prejuízos bilionários e uma reorganização que incluiu cortes temporários de salário para executivos, como forma de responsabilização interna.

A queda na China ajuda a explicar o desespero: a Honda vendeu 1,6 milhão de carros por lá em 2020, mas viu o volume despencar nos anos seguintes.

Agora a marca espera vender apenas 600.000 veículos no país neste ano, com fábricas trabalhando a metade do que foram projetadas e queimando caixa.

No meio do turbilhão, a Honda decidiu voltar ao básico, e isso significa recolocar a engenharia no centro e separar novamente pesquisa e desenvolvimento como operação independente.

O detalhe irônico é que Mibe comandava a área de R&D em 2020, quando o então presidente Takahiro Hachigo trouxe a pesquisa para dentro da empresa-mãe.

Depois de 60 anos de independência, a justificativa era que o R&D estaria “atrasando” o negócio e que centralizar tudo deixaria a Honda mais eficiente.

Só que, na prática, o relatório aponta que a Honda leva o dobro do tempo dos concorrentes chineses para desenvolver um modelo novo, o que virou desvantagem competitiva.

Mibe disse a equipes e fornecedores que a empresa precisa agir rápido para ganhar velocidade e competências, citando o legado de inovação do motor CVCC e do VTEC.

A diferença é que, desta vez, a virada não pode ser só hardware, porque software virou o campo onde a Honda pode travar ou destravar seu futuro.

O clima de urgência se espalha pelo Japão, e a fala do CEO em saída da Toyota, Koji Sato, resumiu o temor aos próprios fornecedores: “não vamos sobreviver se continuar assim”.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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