
A febre dos carros elétricos deu uma esfriada nos Estados Unidos, e quem está roubando a cena são os híbridos — modelos que combinam motor a combustão com propulsão elétrica.
Após o fim dos incentivos federais para a compra de EVs no fim de setembro, muitas concessionárias viram o interesse pelos elétricos despencar quase que da noite para o dia.
Em contraste, os híbridos passaram a ser disputados, com algumas versões esgotando rapidamente nos pátios, como tem ocorrido nas cerca de 50 lojas do grupo Kunes no Meio-Oeste americano.
Enquanto os elétricos puros representaram 10% das vendas de veículos no terceiro trimestre, os híbridos responderam por 15%, segundo dados do setor.
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A tendência deve se intensificar em 2026, com a CarGurus prevendo que quase um em cada seis carros vendidos nos EUA será híbrido.

Mesmo com motor a gasolina, esses modelos estão ajudando na redução de emissões e preparando o terreno para uma eventual transição elétrica.
Fabricantes vêm ampliando sua oferta: hoje há 87 modelos híbridos disponíveis no mercado americano — 50% mais do que cinco anos atrás, de acordo com a Edmunds.
O Hyundai Palisade Hybrid, por exemplo, é o carro que menos tempo permanece nas lojas, com menos de 14 dias de estoque médio.
Analistas explicam que o investimento em baterias e motores elétricos, mesmo sem retorno imediato com EVs, está ajudando as montadoras a produzir híbridos mais eficientes e lucrativos.
Já são 37% os modelos de carro e caminhonete no país com algum tipo de motorização elétrica, quase o dobro da fatia registrada em 2020.

A diferença entre um híbrido e um carro convencional está cada vez menos visível, tanto para os olhos quanto para o bolso.
Muitos clientes sequer percebem que estão comprando um carro híbrido — como no caso do Toyota RAV4 2026, que terá todas as seis versões com motor elétrico e tanque de gasolina.
“Hoje, híbrido é só mais um carro comum”, diz Scott Hardman, da Universidade da Califórnia.
Para os consumidores, o que mais importa é custo-benefício: autonomia, economia e confiabilidade continuam sendo os critérios principais de decisão.
Os híbridos oferecem uma redução de 20% a 30% nas emissões de CO₂, conforme dados do Conselho Internacional de Transporte Limpo.
Nos modelos plug-in, muitos motoristas conseguem rodar quase 40 km por dia apenas com energia elétrica, sem ligar o motor a combustão.
Ford, por exemplo, já mudou sua estratégia: vai cancelar a F-150 Lightning elétrica para produzir uma picape híbrida de maior alcance.
A empresa agora projeta que metade de suas vendas globais será de veículos eletrificados até 2030.
A Toyota já atingiu essa marca, e a Honda pretende seguir pelo mesmo caminho até o fim da década.
Pesquisas mostram que um terço dos motoristas de híbridos migra para um elétrico puro na troca seguinte, o que reforça o papel dos híbridos como porta de entrada para a eletrificação total.
Entre os lares que já têm um híbrido, 70% consideram comprar um EV — bem acima dos 57% da média nacional.
“A pessoa compra o híbrido e começa a se acostumar”, diz Hardman. “Com o tempo, percebe que dirigir no modo elétrico é até melhor — e que o motor a combustão acaba virando só um incômodo.”
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