O “carro popular” acabou nos EUA e virou sentença de dívida: novo custa US$ 50.000 e até o usado virou armadilha

novo versa mexico 1
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O americano médio sempre tratou o carro como extensão da liberdade, mas essa liberdade virou parcela, juros e medo de uma quebra inesperada no motor.

O preço médio de transação de um carro novo nos EUA está em torno de US$ 50,000 (R$ 251.400), e em dezembro ficou quase impossível achar um zero por menos de US$ 20,000 (R$ 100.500).

Modelos que eram “porta de entrada” passaram a custar muito mais, como o Honda Civic Hatchback a partir de US$ 28,000 (R$ 140.800) e o Touring Hybrid acima de US$ 32,000 (R$ 160.900).

Até opções consideradas acessíveis no imaginário recente aparecem perto de US$ 25,000 (R$ 125.700), e um Corolla Hybrid começa em torno de US$ 26,000 (R$ 130.700).

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Com o carro caro, o usado virou armadilha, porque veículos com alta quilometragem custam caro e quebram mais, num mercado com peças complexas e mão de obra escassa.

honda civic 2026 2
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O texto aponta que custos de reparo subiram 15% no último ano, e uma visita média à oficina já custa cerca de US$ 840 (R$ 4.200).

Quando a conta chega, muita gente precisa escolher entre pagar o conserto ou a parcela do financiamento, e as retomadas de veículos dobraram em cinco anos.

A projeção citada é que as retomadas ultrapassem três milhões até o fim de 2026, ecoando o pico da Grande Recessão e empurrando famílias para “imobilidade” física e econômica.

A história de Yasmin Alexander, gerente de 31 anos em Lafayette, Louisiana, contada ao The New York Times, ilustra o buraco: ela juntou dinheiro e comprou um GMC Terrain 2010 usado por US$ 9,000 (R$ 45.200).

O carro rodou só seis meses antes de o motor falhar, e, sem transporte público útil, ela passou a depender do namorado, motorista de DoorDash, em um trajeto de 40 minutos por trecho.

corolla eua (1)
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O argumento central é que o “econobox” acabou porque a economia mudou, a renda do trabalhador ficou estagnada e as montadoras passaram a mirar margens maiores em SUVs e picapes.

Um símbolo dessa guinada é a escalada da F-150, cujo topo “Platinum Plus” pode chegar perto de US$ 90,000 (R$ 452.500) com bancos com massagem e áudio premium.

O texto também atribui parte da virada ao protecionismo, que blindou Detroit da concorrência e, com o tempo, empurrou preços para cima em várias categorias.

Ele cita tarifas de 25% sobre US$ 250 bilhões (R$ 1,3 trilhão) em bens chineses, incluindo componentes e EVs, e afirma que novas tarifas sobre carros e peças encareceriam até os modelos mais baratos.

A provocação final é política: para ressuscitar carros simples e baratos, os EUA teriam de abrir mais o mercado, inclusive para veículos feitos na China, com exigências de produção local e segurança digital.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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