
O setor automotivo europeu vive um novo revés com o colapso de planos ambiciosos da Stellantis para produção de baterias em larga escala.
A Automotive Cells Company (ACC), formada por Stellantis, Mercedes-Benz e TotalEnergies, confirmou que não levará adiante os projetos de gigafábricas na Alemanha e na Itália.
Desde maio de 2024, essas unidades já estavam em “stand-by”, e agora, segundo a própria ACC, as condições para retomada não devem se concretizar.
Na França, onde a ACC mantém uma planta em operação, o cenário também preocupa: a empresa iniciou conversas com sindicatos sobre possíveis medidas de desemprego parcial.
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Segundo o secretário-geral Matthieu Hubert, todas as opções estão sendo avaliadas para salvar as finanças da companhia.
A Stellantis, que detém parte da ACC, afirmou que acompanha de perto a situação e reconheceu as negociações para encerrar os projetos alemão e italiano.
Sem comentar diretamente as tratativas francesas, a empresa sinalizou que irá proteger os empregos por meio da realocação de trabalhadores em outras unidades.
Uma das alternativas citadas é a instalação de uma linha de produção de câmbio automatizado e-DCT em Termoli, sul da Itália, prevista para 2026.
Além disso, a Stellantis planeja investir em motores a combustão adaptados ao padrão Euro 7, garantindo sua viabilidade após 2030.
Esse recuo na eletrificação expõe uma crise mais profunda dentro da Stellantis, que anunciou um prejuízo de €22,2 bilhões (cerca de R$ 137 bilhões) em ativos, majoritariamente ligados a projetos de EVs.
Com lucro abaixo das expectativas, a montadora alertou que pode registrar um déficit de até €1,5 bilhão na segunda metade de 2026.
O impacto foi imediato: as ações despencaram 25% na bolsa de Milão, ampliando para €70 bilhões a perda de valor de mercado desde o início de 2024.
O recuo afeta também suas operações fora da Europa: a Stellantis vendeu sua participação de 49% na joint venture canadense com a LG Energy por apenas US$ 100.
A quantia contrasta com os US$ 980 milhões (cerca de R$ 5,1 bilhões) originalmente investidos, praticamente zerando o valor da aposta no projeto.
Para analistas, a decisão confirma o recuo estratégico na eletrificação sob a liderança de Antonio Filosa, CEO da montadora desde 2024.
Com menor apetite por risco, a Stellantis agora projeta menos fábricas de baterias tanto na Europa quanto nos EUA.
A virada de rumo sinaliza um novo capítulo na corrida elétrica global — desta vez, marcado por cortes, perdas bilionárias e incertezas industriais.
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