
Durante anos, boa parte da indústria europeia de autopeças apostou todas as fichas nos carros elétricos como se o futuro estivesse praticamente garantido pela regulamentação.
Agora, esse mesmo futuro parece ter derrapado, deixando fornecedores com fábricas adaptadas para EVs, cadeias de suprimento redesenhadas e uma demanda muito abaixo do que se imaginava.
A entidade que representa o setor, a CLEPA, classifica o momento como uma verdadeira “policrise”, resultado de vários problemas se encontrando ao mesmo tempo.
De um lado, a adoção de EVs avança mais devagar do que o previsto, frustrando projeções otimistas de produção e ocupação de plantas voltadas à eletrificação.
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Do outro, a competição chinesa fica cada vez mais agressiva, com preços baixos e produtos competitivos que pressionam margens de fornecedores europeus já comprimidas.
Some-se a isso montadoras exigindo reduções de custo em contratos e um ambiente regulatório fragmentado, com regras mudando e prazos sendo revisados.
Segundo a CLEPA, o impacto combinado desses fatores pode ameaçar cerca de 350.000 empregos no setor até 2030, caso nada mude de forma estrutural.
Entre 2024 e 2025, os fornecedores já anunciaram 104.000 cortes de vagas, um sinal claro de que a reacomodação do setor deixou de ser abstrata.
Os chamados Tier 1 alemães, que fornecem diretamente para as montadoras, aparecem entre os mais atingidos nesse ajuste doloroso.
A ZF Friedrichshafen, por exemplo, planeja eliminar 7.000 empregos em sua divisão de sistemas para trens de força elétricos e híbridos até 2030.
A Bosch prevê cortar 13.000 postos, principalmente em sua divisão de mobilidade sediada na Alemanha, até o fim da década.
A Continental projeta entre 10.000 e 11.000 demissões no período de 2024 até o fim de 2026, em meio a reestruturações e busca por eficiência.
Já a Schaeffler fala em 4.700 cortes espalhados pela Europa, justificando a medida pela velocidade “muito lenta” da transição para a eletromobilidade.
Na prática, essas empresas se prepararam para um volume de componentes de EVs que ainda não chegou, enquanto o negócio tradicional de combustão não desapareceu como o esperado.
O resultado é um limbo desconfortável: capacidade instalada demais para uma demanda que não se confirmou e pressão extra vinda de concorrentes asiáticos bem posicionados.
Sem uma solução simples ou remédio rápido, a “policrise” europeia mostra que reescrever a base tecnológica da mobilidade é muito mais complexo do que decretar datas finais para o motor a combustão.
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