
A aposta ousada da Porsche em tornar o Macan um SUV totalmente elétrico revelou-se um erro estratégico, segundo admitiu o atual CEO da Volkswagen, Oliver Blume, que liderava a marca de Stuttgart quando a decisão foi tomada.
Blume deixou o comando da Porsche no início de 2025 e, em entrevista ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung, reconheceu que a empresa subestimou os desafios do mercado ao eletrificar por completo seu veículo mais vendido.
Na época, a decisão parecia lógica: um mercado em expansão para EVs, previsões otimistas e uma estratégia que visava ter esportivos elétricos, híbridos e a combustão em todos os segmentos — mas não necessariamente em cada modelo individualmente.
Segundo o executivo, os dados disponíveis justificavam a escolha naquele momento, mas o cenário atual exige correções.
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A Porsche, portanto, decidiu manter o Macan a combustão em produção até 2026 e já confirmou que prepara um novo SUV para substituí-lo, com opções híbridas e convencionais.
Esse futuro utilitário, que ocupará o mesmo segmento do Macan, terá desenvolvimento acelerado e poderá compartilhar a plataforma PPC da nova geração do Audi Q5, o que sugere uma base flexível voltada para motores a combustão.
Mesmo com o Macan EV já à venda, a marca nunca apresentou o modelo elétrico como única alternativa.
Agora, com a reversão parcial da estratégia, a Porsche busca preservar sua participação no lucrativo segmento de SUVs médios.

A revisão da eletrificação não para por aí. A fabricante também repensa o futuro da linha 718, composta por Boxster e Cayman, que estava prevista para se tornar totalmente elétrica.
Agora, foi confirmado que as versões mais potentes da nova geração 718 seguirão com motor a combustão.
E rumores indicam que a Porsche estuda uma adaptação ainda mais ousada: instalar um motor central a gasolina — possivelmente um seis cilindros de 4.0 litros — na mesma plataforma PPE desenvolvida originalmente para veículos elétricos.
Esse tipo de retrofit técnico seria extremamente desafiador, já que a arquitetura PPE não foi projetada para comportar componentes como tanque de combustível, escapamento e túnel central.

Ainda assim, a possibilidade está sendo avaliada. A Porsche quer garantir que, caso o modelo a combustão seja viável, ele mantenha o desempenho e comportamento dinâmico compatíveis com a versão elétrica.
Com essas mudanças, a marca sinaliza um reposicionamento claro: em vez de uma transição abrupta para elétricos, a Porsche aposta agora na flexibilidade, acompanhando a evolução real da demanda — e não apenas as projeções otimistas do início da década.
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