Primeiras impressões do BYD Seal EV, que chega por R$ 296.800

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Sedãs médios de Audi, BMW e Mercedes-Benz estão na mira do cupê elétrico BYD Seal, lançado por R$ 296.800

por Luiz Humberto Monteiro Pereira

O nome BYD é formado pelas iniciais da expressão em inglês “Build Your Dreams”, que significa “construa seus sonhos”.

A inspiração motivacional funcionou e a empresa chinesa fundada em 1995 tornou-se uma das maiores fabricantes mundiais de baterias e de veículos elétricos e híbridos plug-in.

Está no Brasil desde 2015, quando inaugurou sua fábrica de chassis de ônibus elétricos em Campinas (SP). Em 2019, trouxe da China as primeiras unidades do furgão elétrico eT3.

Atualmente, também importa o utilitário esportivo de sete lugares Tan EV, o sedã grande Han EV, o SUV médio Yuan Plus EV e o hatch compacto Dolphin EV – os quatro 100% elétricos – e o SUV grande híbrido plug-in Song Plus DM-i, todos produzidos na China.

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Lançado no final de junho, por R$ 149.800, o Dolphin provocou rebaixamentos dos preços dos concorrentes, os elétricos mais baratos disponíveis no Brasil.

Dias depois de atacar no segmento de entrada dos elétricos, a BYD anunciou que construiria sua fábrica de automóveis brasileira em Camaçari, no local onde funcionava a unidade industrial da Ford, fechada em 2021.

O BYD Seal

Agora, a marca aponta para um segmento de maior valor agregado com o Seal, um cupê 100% elétrico de alto desempenho.

O preço de lançamento – R$ 296.800 – e as características dinâmicas e estilísticas do novo veículo importado da China colocam na mira as versões movidas a gasolina ou flex dos sedãs Mercedes-Benz Classe C (parte de R$ 359.900), BWM Série 3 (parte de R$ 315.950) e Audi A4 (parte de R$ 299.990).

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O Seal segue o conceito Ocean Aesthetics, o mesmo adotado no Dolphin, um design que resulta em um visual dinâmico frontal que remete aos modelos da Porsche. Traz a assinatura da equipe liderada pelo alemão Wolfgang Egger, diretor de Design Global da BYD, que buscou inspiração no oceano – o nome “Seal” significa “foca”.

Toda a frente do carro transmite uma sensação de movimento e as curvas esculpidas da carroceria evocam as ondas no mar.

As maçanetas ficam embutidas nas portas quando o veículo está em movimento, o que reduz a resistência ao vento e o consumo geral de energia do veículo – voltam à posição normal automaticamente, quando o veículo é desligado pelo motorista ou quando as travas das portas são abertas por fora.

No perfil, destacam-se ainda as elegantes rodas de 19 polegadas, as saias com grafismos inspirados em guelras e o teto solar panorâmico que ocupa toda a parte de cima do carro.

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Atrás, chamam a atenção as lanternas interligadas, com simpáticos desenhos internos que lembram pequenos peixes. O coeficiente de arrasto – que mede a força de resistência ao ar por uma determinada superfície – do Seal é de apenas 0,219 Cd, o que significa que é um dos automóveis de série com a melhor aerodinâmica no mundo.

O Seal será comercializado no Brasil em versão única, nas cores Azul Glacial, Cinza Atlantis, Branco Bright, Verde Courtyard, Cinza Acetinado e Preto Cosmos (a do modelo testado).

O novo carro vem equipado como a BYD e-Platform 3.0, projetada exclusivamente para veículos 100% elétricos, e traz um “powertrain” com dois motores (um para cada eixo) que somam 531 cavalos, levando apenas 3,8 segundos para atingir os 100 km/h.

A bateria Blade, tecnologia desenvolvida pela BYD, busca proporcionar mais eficiência energética e segurança. Com 100% de carga, a autonomia chega a 372 quilômetros pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular do Inmetro.

As baterias são de 82,5 kWh e a fabricante informa que, em um carregador de 150 kW (a potência máxima de recarga), é possível obter entre 30% e 80% da capacidade recarregadas em apenas 30 minutos.

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O novo modelo da BYD é o primeiro a implementar a tecnologia Cell-to-Body (CTB), na qual a bateria torna-se parte da estrutura da carroceria para trazer mais rigidez e segurança, além de ajudar a aprimorar a eficiência do espaço.

A garantia do Seal é de oito anos ou 200 mil quilômetros rodados para os motores. A bateria Blade conta também com garantia de oito anos, sem limite de quilometragem.

A BYD anunciou ainda que a partir de agora o Seal e toda a linha de carros 100% elétricos da marca passa a contar com cinco anos (ou 100 mil quilômetros) de revisões gratuitas. As revisões no Seal ocorrem a cada 20 mil quilômetros, diferentemente dos 10 mil quilômetros habitualmente cumpridos nos carros a combustão.

O Seal é equipado com um sistema de conexão inteligente 4G com atualizações Over The Air (OTA), similar ao usado nos smartphones.

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O multimídia tem uma vistosa tela rotativa de 15,6 polegadas equipada com a função de controle de voz, com conectividade via cabo para Android Auto e Apple CarPlay. Além dos oito airbags, o modelo incorpora recursos de segurança e assistência ao motorista, incluindo aviso de colisão dianteira, frenagem de emergência automática, aviso de colisão traseira, alerta e freio de tráfego cruzado traseiro, assistência de manutenção de faixa, assistência de mudança e de manutenção de faixa de emergência e controle de cruzeiro adaptativo. Uma câmera panorâmica fornece visualização de 360 graus.

Desde o lançamento do Dolphin, há dois meses, a BYD se posicionou entre as protagonistas da eletrificação no Brasil. Os concorrentes do modelo – Renault Kwid E-Tech, Caoa Chery iCar e JAC E-JS1 –, todos também importado da China, reduziram seus preços para não abrir espaço para o “novato”.

Mesmo assim, em agosto, os 371 emplacamentos já deram ao Dolphin a posição de veículo elétrico mais vendido no Brasil. Com o Seal, a expectativa é causar um “rebuliço” parecido nos sedãs médios das marcas de luxo alemãs, com motorizações a gasolina ou flex – que ocupam faixas de preço similares ou superiores.

Já entre os sedãs elétricos médios, não há tanta concorrência no mercado brasileiro – os mais próximos seriam o JAC E-J7 (R$ 252.900) e o BMW i4 (R$ 419.940).

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Experiência a bordo – Ambiente tecnológico

O acesso ao Seal EV não é tão simples por conta da baixa altura do sedã. Por outro lado, não é difícil de se achar uma boa posição para dirigir. Os bancos têm aparência esportiva, estofamento macio e revestimentos de bom gosto.

O banco do motorista tem ajustes elétricos em oito posições e conta com apoio lombar com quatro regulagens, enquanto o volante de base chata permite quatro posições.

O espaço na traseira é amplo, e essa sensação é aumentada pelo teto solar panorâmico – que não conta com cortina para bloquear os raios solares, apenas uma película. Funciona bem no inverno paulistano, porém, a efetividade protetiva da película só será testada de fato no verão brasileiro – que costuma oferecer insolação extrema.

Os revestimentos internos do Seal têm aspecto futurista e aparentam qualidade, com padrão elevado de acabamento. O painel, ondulado como referência às ondas do mar, é todo emborrachado. Mas quem “rouba a cena” a bordo e monopoliza os olhares é a central multimídia giratória com sua imponente tela de 15,6 polegadas – que parece um tanto hiperdimensionada em relação ao habitáculo.

O sistema disponibiliza o áudio Dynaudio com karaokê e 12 alto-falantes. Já o painel de instrumentos tem uma tela digital mais discreta, de 10,2 polegadas. São dois carregadores de celular por indução frontais e duas entradas USB, tendo ainda uma outra do tipo C.

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Primeiras impressões – Fera de pele macia

São Paulo/SP – Os dois motores elétricos do Seal, que entregam 531 cavalos e 68,3 kgfm de torque, permitem ao cupê de 2.150 quilos da BYD acelerar de zero a 100 km/h em apenas 3,8 segundos – uma performance próxima à de um Porsche 911 Carrera S.

Ou seja, o cupê chinês não está para brincadeiras e acelera sério. O orgulho da BYD com a capacidade de aceleração do modelo é tão indisfarçável que a expressão “3,8 s” está registrada em letras cromadas no lado direito da tampa do porta-malas, abaixo do nome do modelo. A velocidade final do Seal é limitada eletronicamente aos 180 km/h.

A avaliação do Seal foi apenas urbana, o que não permitiu velocidades mais elevadas ou performances radicais. Nos trechos em que foi viável acelerar um pouco mais, o cupê deixou evidente sua capacidade de ganhar velocidade muito rápido, com o sempre revigorante torque máximo instantâneo típico dos elétricos.

Dotado de uma arquitetura de suspensão dianteira do tipo “double wishbone” e traseira “five link”, transmite a impressão de ser dinamicamente equilibrado nas curvas.

A assistência elétrica ajuda a reforçar a percepção de que o carro está sempre “na mão” do motorista. No Brasil, pelo visual inspirado e pelo preço oferecido, dá para acreditar que o Seal dê trabalho à concorrência.

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Ficha técnica – BYD Seal EV

Motor: dois elétricos síncronos de ímã permanente, um em cada eixo do carro, com baterias Blade de 82,5 kWh.
Potência: 531 cavalos
Torque: 68,3 kgfm
Autonomia: 372 km (Inmetro)
Tração: integral sob demanda
Direção: elétrica
Carroceria: sedã estilo cupê com quatro portas e cinco lugares
Dimensões: 4,80 metros de comprimento, 1,91 metro de largura, 1,59 metro de altura e 2,92 metros de entre-eixos
Peso: 2.150 kg
Porta-malas: 400 litros
Suspensão: dianteira com braços sobrepostos e molas helicoidais e traseira independente multibraços com molas helicoidais
Freios: discos ventilados em todas as rodas
Rodas e pneus: 19 polegadas 235/45
Distância em relação ao solo: 12 centímetros
Preço: R$ 296.800

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Autor: Luiz Humberto Monteiro Pereira - AutoMotrix

Jornalista carioca que trabalha com jornalismo automotivo desde 1992. Em 2018 criou a Agência AutoMotrix e, em 2020, a revista "Roda Rio".