
O Xiaomi SU7 Ultra surgiu como um furacão entre os hipercarros elétricos, mas fechou 2025 com um sussurro.
Em dezembro, apenas 45 unidades foram vendidas, selando a derrocada de um modelo que, meses antes, parecia destinado a redefinir o segmento de desempenho elétrico.
Com seus impressionantes 1.548 cv, velocidade máxima de 350 km/h e visual comparado ao de um Porsche Taycan turbinado, o SU7 Ultra chegou custando 529.900 yuans — cerca de R$ 391.400.
O preço “baixo” para tanto desempenho atraiu olhares de fãs e até de rivais: rumores indicam que a Ferrari teria comprado um exemplar para benchmarking do seu futuro modelo elétrico.
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No entanto, a trajetória do SU7 Ultra seguiu um padrão conhecido em lançamentos super-hypados: queda livre após o frenesi inicial.

Logo nos primeiros meses, os compradores descobriram que o modelo entregue ao público vinha capado, com redução de cerca de 650 cv por questões de segurança — uma decisão que enfureceu fãs e minou a confiança.
A Xiaomi recuou e liberou a potência prometida, mas os danos à reputação já estavam feitos.
Não parou por aí: relatos de que o capô aerodinâmico não era funcional, portas que não abriam em acidentes e cobranças extras após o pagamento da entrada pioraram ainda mais o cenário.
Em um mercado como o chinês, onde a juventude valoriza o “novo” acima de tudo, a paciência com erros é curta.

Ainda assim, o SU7 Ultra vendeu mais do que se previa inicialmente: foram mais de 15 mil unidades ao longo de 2025, superando a meta de 10 mil unidades estipulada para o modelo.
O gráfico de vendas mostra um declínio dramático: de 3.098 unidades em março para apenas 130 em outubro, 80 em novembro e 45 em dezembro.
Enquanto isso, o SU7 “normal” seguiu em alta.
Foram 258.164 unidades vendidas em 2025, ultrapassando até mesmo o Tesla Model 3, que fechou o ano com 200.361 unidades entregues na China.

A Xiaomi Auto, portanto, parece estar no caminho certo — só não com seu hipercarro.
Segundo o CEO Lei Jun, a meta da marca para 2026 é atingir 550 mil unidades, concentrando-se em modelos para o uso familiar, que representam a maior fatia da demanda.
Com isso, o SU7 Ultra deve seguir como um símbolo de ousadia — e também de excesso.
Seu futuro é incerto, mas se o ritmo atual continuar, é provável que a Xiaomi encerre sua produção silenciosamente, sem alarde, como fazem as marcas que aprendem rápido com os próprios erros.
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