
Recalls viraram um termômetro desconfortável para medir a saúde industrial de uma montadora, e a Ford parece decidida a transformar esse termômetro em placar.
Em 2025, a marca quebrou o recorde de uma fabricante em um único ano ao emitir 152 recalls, que somaram 12,92 milhões de veículos convocados.
Agora, em 2026, a Ford dá sinais de que pode tentar repetir a dose, porque o recall mais recente envolvendo 1,74 milhão de unidades por falhas na câmera de ré elevou o total do ano para 7.315.848.
O detalhe é que esse número já passa da metade do volume do ano passado mesmo com o calendário mal entrando em março, um retrato que chama atenção pelo ritmo.
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De acordo com a National Highway Traffic and Safety Administration (NHTSA), esse recall na prática é uma dupla convocação, já que existem dois problemas diferentes ligados ao sistema de câmera.
Em um dos casos, certos Broncos 2021-2026 e Edge 2021-2024 podem ter o Accessory Protocol Interface Module (APIM) superaquecendo e desligando, o que impede a câmera de ré de exibir qualquer imagem.
No outro, certos Escape 2020-2022 e Lincoln Corsair 2020-2022, além de Explorer 2020-2024 e Lincoln Aviator 2020-2024, podem apresentar imagens invertidas ou “espelhadas” na tela do infotainment.
Nos dois recalls, a correção prevista é uma atualização de software, solução que sugere origem eletrônica mesmo quando o efeito percebido pelo motorista é puramente visual.
Somando tudo o que já saiu em 2026, a Ford contabiliza 17 recalls, um patamar que ainda está longe das 152 ocorrências de 2025, mas continua desproporcional diante da concorrência.
Segundo a NHTSA, nenhuma outra empresa tem mais de cinco recalls no ano até agora, com Toyota e Hyundai empatadas na segunda posição justamente com cinco.
O salto que mais inflou os números da Ford em 2026 aconteceu em fevereiro, quando 4.381.878 veículos — principalmente picapes e SUVs de 2021-2026 — foram chamados por falhas na iluminação do freio do reboque.
Com isso, a dupla convocação das câmeras, mesmo atingindo 1,74 milhão, acaba sendo apenas o segundo maior recall da marca neste ano.
O pano de fundo é que a Ford parece estar apanhando de eletrônica e equipamentos, que aparecem como suas duas maiores categorias de recalls, ampliando a percepção de fragilidade em sistemas digitais.
Se a atualização resolver o defeito, a conta técnica fecha, mas a conta de imagem continua aberta, porque os volumes e a frequência passam a impressão de uma crise persistente de qualidade.
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